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26/02/2010 - 18h39

Bovespa tem alta no dia e no mês; TAM sobe 7,5%

SÃO PAULO - O pregão da sexta-feira foi errático na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), mas as ordens de compra acabaram prevalecendo. Ao final da jornada, o Ibovespa apontava alta de 0,58%, aos 66.503 pontos. O giro somou R$ 6,51 bilhões.

Na semana, o índice perdeu 1,62%, mas ainda garantiu alta de 1,68% em fevereiro. Já no ano, a bolsa deve 3,04%.

A falta de rumo não foi exclusividade do mercado brasileiro. Os índices em Wall Street passaram o dia oscilando próximos da estabilidade até fecharem com leve alta. Dow Jones ganhou 0,04%, e o Nasdaq 0,18%.

Segundo o operador-sênior da TOV Corretora, Décio Pecequilo, o volume moderado dos últimos pregões é a melhor ilustração desse ambiente de cautela. No entanto, deixando de olhar apenas o curto prazo, o operador lembra que os investidores não têm do que reclamar da bolsa brasileira.

Em 12 meses até o pregão de ontem, o Ibovespa acumulava alta de 73%, quase o dobro de valorização de 38,7% registrada pela bolsa de Xangai. Entre os desenvolvidos o comportamento do Ibovespa fica ainda mais chamativo. O Dow Jones sobe 42% em 12 meses, o S & P 44,2%, o DAX, de Frankfurt 43,8%, e o FTSE, de Londres, 37%.

Olhando para frente, Pecequilo aponta que, como não há mudanças nos fundamentos da economia brasileira, os dias de baixa na Bovespa devem continuar sendo vistos como oportunidade de compra. "E esse conceito parece se firmar, também, entre analistas externos", pondera o especialista, citando comentário feitos ao longo da semana por gestores externos como a Pimco.

Fora isso, lembra Pecequilo, existe a possibilidade de o Brasil subir mais um grau dentro da categoria grau de investimento. Perspectiva reforçada por relatório divulgado ontem pela agência de classificação de risco Moody ? s.

O problema, segundo o operador, é que não dá para fugir da preocupação com a Zona do Euro. Os problemas envolvendo a dívida soberana de alguns membros podem trazer desconforto para as finanças globais, principalmente o que chega da Grécia.

Segundo Pecequilo, os investidores estão reticentes em função desses problemas, mas ainda assim estão sendo empurrados para o mercado brasileiros por duas razões principais. Primeira, são as crescentes indicações positivas de analistas globais. E segunda, a solidez da economia, aliada a um sistema financeiro moderno e sem problemas.

"Caiu é oportunidade de compra. Agora, o que comprar, depende do perfil de cada investidor", reforçou o operador.

No âmbito corporativo, as aéreas subiram forte sem motivo aparente. Segundo o chefe da área de renda variável da Capital Investimentos, Fernando Barbará, os papéis apenas recuperam perdas recentes, que chegaram a passar de 20%. O papel PN da TAM subiu 7,51%, maior alta do dia, para fechar a R$ 33,49. Mas vale lembrar que o ativo chegou a valer mais de R$ 40,00 no começo de janeiro. A rival GOL PN se valorizou 5,18%, a R$ 24,55, mas chegou a bater R$ 28,00 no mês passado.

As siderúrgicas permaneceram em destaque pelo segundo dia seguido em função de bons resultados trimestrais. A ação ON da CSN ganhou 1,98%, a R$ 59,15, com o quarto volume do dia. Como os pares Usiminas e Gerdau, os resultados da siderúrgicas agradaram. A CSN obteve lucro líquido de R$ 745,4 milhões entre outubro e dezembro de 2009. Um ano antes, a empresa tinha embolsado R$ 3,936 bilhões.

Ainda no setor, Usiminas PNA se valorizou 3,15%, a R$ 51,32, enquanto Gerdau PN teve alta de 1,26%, a R$ 26,45.

Entre os carros-chefe, Petrobras PN reverteu perdas e subiu 0,66%, a R$ 34,61. Já Vale PNA perdeu 0,22%, a R$ 44,45.

Ainda entre as empresas de matérias-primas, mas com sinal negativo, Fibria ON caiu 5,31%, a R$ 32,95, maior queda do índice. A empresa, resultado da junção de Aracruz e VCP, teve prejuízo de R$ 150 milhões no quarto trimestre, revertendo lucro de R$ 181 milhões registrado três meses antes. A perda, no entanto, foi menor que o prejuízo pro forma de R$ 968 milhões contabilizado entre outubro e dezembro de 2008. Em 2009, a Fibria obteve lucro líquido de R$ 558 milhões, revertendo perda pro forma de R$ 1,310 bilhão.

Ainda na ponta de venda, Souza Cruz ON perdeu 4,08%, a R$ 61,82, e JBS ON devolveu 3,50%, a R$ 9,08. Klabin PN e Ultrapar PN recuaram mais de 2% cada.

Dia de retomada para os papéis da BM & FBovespa, que fecharam com alta de 3,40%, a R$ 11,84. A ação tinha caído 7,2% depois da divulgação dos resultados trimestrais que desagradaram em função do aumento de despesas. Entre os bancos, Itaú Unibanco PN garantiu alta de 2,52%, para R$ 36,50.

Fora do índice, Telebrás foi destaque de volume, movimentando mais de R$ 105 milhões. O ativo subiu 2,14%, a R$ 2,38. Também na chamada quinta linha, Kepler Weber ON saltou 12,28%, a R$ 0,64. Os papéis da empresa que fabrica silos para armazenamento de grãos movimentaram mais de R$ 67 milhões. Para efeito de comparação, apenas 16 papéis do Ibovespa movimentaram quantias superiores.

(Eduardo Campos | Valor)

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