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26/02/2010 - 12h46

Contratos de juros futuros se ajustam para baixo na BM & F

SÃO PAULO - Os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) mostram a redução dos prêmios de risco na curva de juros futuros na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) no último dia de negócios de fevereiro.

Na parte longa da curva, o Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2011, referência de mercado, registrava, há pouco, decréscimo de 0,01 ponto percentual, a 10,40%, enquanto o contrato de janeiro de 2012 recuava 0,02 ponto, a 11,57%. O DI para o primeiro mês de 2013 subia 0,01 ponto, a 11,97%, enquanto o vencimento em janeiro de 2014 caía 0,02 ponto, a 12,20%.

Na parte curta da curva, o DI com vencimento em julho de 2010, que divide as apostas entre alta de juros no primeiro ou segundo semestre, projetava taxa de 9,26%, baixa de 0,01 ponto. Ainda entre os curtos, março deste ano diminuía 0,03 ponto, para 8,60%, enquanto abril de 2010 recuava 0,025 ponto, a 8,725%. O gestor da SLW Asset Management, Gustavo Gazaneo, assinala que, num dia de agenda fraca no cenário doméstico, não há notícias que possam justificar o movimento dos DIs. Na ausência de novos indicadores sobre a economia brasileira, os agentes seguem reagindo à decisão do Banco Central (BC) de retirar da economia R$ 71 bilhões por meio da elevação dos compulsórios bancários.

Em entrevista publicada na edição desta sexta-feira do Valor, o presidente do BC, Henrique Meirelles, afirmou que a medida tem efeitos de política monetária, mas ressaltou que o mecanismo básico que a instituição deve usar para alterar a trajetória futura de inflação é a taxa básica de juros. "É o mecanismo mais eficiente, uma vez que as séries históricas estão mais bem estabelecidas e, portanto, é algo mensurável. Trata-se do instrumento básico de ação de bancos centrais no mundo todo e do BC brasileiro. Não procuramos substituir um mecanismo por outro. Para o controle específico de liquidez em alguns momentos, o recolhimento ou a liberação de compulsório, como fizemos em 2008, é um mecanismo extremamente eficaz. Portanto, a decisão do compulsório teve em vista questões de liquidez. Não há dúvidas, porém, de que ela tem efeitos de política monetária", disse Meirelles, na reportagem.

Para Gazaneo, da SLW, a elevação dos compulsórios posterga o início do aperto monetário, que deve ocorrer, segundo a instituição, em abril.

"O BC quer avaliar o impacto da medida na economia, e seria cedo elevar os juros em março", comentou o gestor. A SLW projeta alta de 250 a 300 pontos da Selic ao longo do ciclo.

Ainda que com pouca influência na trajetória dos DIs, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou hoje cedo sua sondagem da indústria de transformação, que mostrou que, após dois meses de estabilidade em 83,8%, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) subiu ligeiramente em fevereiro, para 84%, maior marca desde outubro de 2008 (85,1%).

(Beatriz Cutait | Valor)

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