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26/02/2010 - 16h26

Declarações de Meirelles pressionam DIs e levam à abertura da curva

SÃO PAULO - O aumento da posição defensiva tomou conta da segunda etapa dos negócios do mercado de juros futuros desta sexta-feira, e levou à abertura da curva a termo ao fim do dia. Pesaram sobre as operações finais de fevereiro declarações feitas pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em um dia vazio de indicadores.

Em entrevista ao Valor publicada na edição de hoje, o dirigente afirmou que a elevação dos compulsórios bancários é uma medida que tem efeitos de política monetária, mas ressaltou que o mecanismo básico que a instituição deve usar para alterar a trajetória futura de inflação é a taxa base de juros.

"É o mecanismo mais eficiente, uma vez que as séries históricas estão mais bem estabelecidas e, portanto, é algo mensurável. Trata-se do instrumento básico de ação de bancos centrais no mundo todo e do BC brasileiro. Não procuramos substituir um mecanismo por outro. Para o controle específico de liquidez em alguns momentos, o recolhimento ou a liberação de compulsório, como fizemos em 2008, é um mecanismo extremamente eficaz. Portanto, a decisão do compulsório teve em vista questões de liquidez. Não há dúvidas, porém, de que ela tem efeitos de política monetária", disse Meirelles, na reportagem.

À tarde, o presidente voltou a abordar o peso político sobre as próximas decisões do BC. Segundo Meirelles, não é por 2010 ser um ano eleitoral que a autoridade monetária não tomará medidas "antipáticas ou impopulares", como elevar a taxa de juros.

"Os juros subiram com as declarações de Meirelles e com o mercado já está esperando um Boletim Focus pior na segunda-feira. A semana ainda mostrou uma piora dos indicadores, com o maior temor de inflação. O viés foi mais negativo", afirmou o analista econômico da Mercatto Investimentos, Gabriel Goulart.

Na avaliação do analista, embora o presidente do BC tenha dado declarações "mais brandas", os agentes já estão mais pessimistas. "O mercado começa a ter receio de que o BC seja mais leniente, seja por interesses técnicos ou simplesmente pelo medo de errar. O clima é mais defensivo", apontou.

Para a Mercatto, o BC não se sentirá "confortável" para elevar a taxa básica de juros já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a ser realizada nos dias 16 e 17 de março. Segundo Goulart, o aperto monetário só deve começar em abril.

A fala de Meirelles deu força ao movimento comprador e os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) subiram em bloco, com exceção do vencimento mais curto, para março de 2010, que caiu 0,01 ponto percentual, a 8,62%.

Ao fim da jornada, ainda na ponta curta da curva, o DI de abril avançava 0,01 ponto, a 8,76%, e o de julho, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, aumentava 0,05 ponto, a 9,32%.

Entre os vencimentos mais longos, o DI da virada deste ano subia 0,07 ponto, a 10,48%, enquanto o contrato para janeiro de 2012 ganhava 0,05 ponto, a 11,64%. Os DIs para os primeiros meses de 2013 e 2014 também avançavam 0,09 ponto e 0,06 ponto, a 12,05% e a 12,28% respectivamente.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foi verificado um forte volume de negócios, com 1.325.950 contratos, equivalentes a R$ 125,013 bilhões (US$ 68,075 bilhões), acima do total registrado ontem (1.101.755 contratos). O vencimento para abril de 2010 passou a ser o mais negociado, com 538.250 contratos, equivalentes a R$ 53,397 bilhões (US$ 29,077 bilhões).

Ainda que com pouca influência na trajetória dos DIs, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou hoje cedo sua sondagem da indústria de transformação. O levantamento mostrou que, após dois meses de estabilidade em 83,8%, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) subiu ligeiramente em fevereiro, para 84%, maior marca desde outubro de 2008 (85,1%).

Para a próxima semana, uma agenda carregada de indicadores reserva o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) fechado de fevereiro, na terça-feira, e os indicadores industriais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), relativos a janeiro, na quarta.

Além disso, na quinta-feira, será divulgada a produção industrial de janeiro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e os dados do setor automotivo referentes a fevereiro, pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Por fim, o IBGE publica na sexta o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste mês.

(Beatriz Cutait | Valor)

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