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01/03/2010 - 08h44

Bovespa subiu no mês e dólar ficou na casa de R$ 1,80

SÃO PAULO - O último pregão de fevereiro não foi diferente dos outros. A instabilidade seguiu pautando os negócios nos mercados brasileiros e mundiais. A impressão que fica é de que os agentes pretendem ampliar posições em ativos de risco, mas batem de frente no noticiário externo negativo, pautado pelas preocupações com a dívida soberana de países europeus, aperto monetário da China e retirada dos estímulos monetários sem precedentes nos Estados Unidos. Tudo isso pontuado por dados econômicos díspares e balanços corporativos. Para março, não se arriscam palpites, já que o quadro acima exposto não se encerra com a virada do mês.

A agenda da sexta-feira foi carregada, mas os dados apresentados não foram determinantes para o comportamento do mercado, que foi errático desde o começo do pregão tanto em Wall Street quanto aqui.

Entre os dados do dia, o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu 5,9%, no quarto trimestre, resultado em linha com o previsto e acima da primeira preliminar, que tinha apontado avanço de 5,7%. Já a venda de imóveis usados nos EUA caiu 7,2% em janeiro, para 5,05 milhões de unidades na taxa anualizada, menor leitura em sete meses. A confiança do consumidor, calculada pela Universidade de Michigan, recuou.

Na Bovespa, a falta de disposição a compras ou vendas ficou evidente pela oscilação de 903 pontos entre mínima e máxima. Mas com destaque para a aéreas e ajuda das siderúrgicas, o Ibovespa subiu 0,58%, para fechar aos 66.503 pontos. O giro somou R$ 6,51 bilhões. Na semana, o índice perdeu 1,62%, mas ainda garantiu alta de 1,68% em fevereiro. Já no ano, a bolsa deve 3,04%.

Segundo o operador-sênior da TOV Corretora, Décio Pecequilo, o volume moderado dos últimos pregões é a melhor ilustração desse ambiente de cautela verificado na bolsa. No entanto, deixando de olhar apenas o curto prazo, o operador lembra que os investidores não têm do que reclamar da bolsa brasileira. Em 12 meses até o pregão do dia 25 de fevereiro, o Ibovespa acumulava alta de 73%, quase o dobro de valorização de 38,7% registrada pela bolsa de Xangai. Entre os desenvolvidos, o comportamento do Ibovespa fica ainda mais chamativo. O Dow Jones sobe 42% em 12 meses, o S & P, 44,2%, o DAX, de Frankfurt, 43,8%, e o FTSE, de Londres, 37%.

Olhando para frente, Pecequilo avalia que, como não há mudanças nos fundamentos da economia brasileira, os dias de baixa na Bovespa devem continuar sendo vistos como oportunidade de compra.

" Esse conceito parece se firmar, também, entre analistas externos " , ponderou o especialista, citando comentário feitos ao longo da semana por gestores externos como a Pimco.

Fora isso, lembrou Pecequilo, existe a possibilidade de o Brasil subir mais um grau dentro da categoria grau de investimento. Perspectiva reforçada por relatório divulgado na quinta-feira pela agência de classificação de risco Moody´s.

O problema, nota o operador, é que não dá para fugir da preocupação com a zona do euro. Os problemas envolvendo a dívida soberana de alguns membros podem trazer desconforto para as finanças globais, principalmente o que chega da Grécia.

Segundo Pecequilo, os investidores estão reticentes em função desses problemas, mas ainda assim estão sendo empurrados para o mercado brasileiros por duas razões principais. Primeira, são as crescentes indicações positivas de analistas globais. E segunda, a solidez da economia, aliada a um sistema financeiro moderno e sem problemas.

" Caiu é oportunidade de compra. Agora, o que comprar depende do perfil de cada investidor " , reforçou o operador.

A falta de rumo não foi exclusividade do mercado brasileiro. Os índices em Wall Street passaram o dia oscilando próximos da estabilidade até fecharem com leve alta. Dow Jones ganhou 0,04% e o S & P 500 e o Nasdaq subiram 0,14% e 0,18%, respectivamente. Já na semana, Dow perdeu 0,7%, enquanto o S & P 500 e o Nasdaq recuaram 0,4% e 0,3%, na ordem.

No mês, a figura foi diferente. O Dow acumulou valorização de 2,6%, fazendo de fevereiro o melhor mês desde novembro, quando subiu 5,6%. O S & P se valorizou 2,9% e o Nasdaq ganhou 4,2%.

Diferente das bolsas, o mercado de câmbio mostrou firme direção de baixa na sexta-feira. Ao que parece, os vendidos queriam uma Ptax (média da cotações ponderada pelo volume que liquida os contratos futuros de março) na casa de R$ 1,80.

Depois de marcar mínima de R$ 1,80, as vendas perderam um pouco de força, mas, ainda assim, o dólar comercial caiu 1,31%, para R$ 1,807 na venda. Na semana, a divisa ainda ganhou 0,11%, mas, no mês, a perda foi de 4,14%. No ano, a moeda ainda tem apreciação de 3,67%.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar declinou 1,52%, para R$ 1,8022. O volume subiu de US$ 17,25 milhões para US$ 48,5 milhões. Já os negócios no interbancário dobraram para US$ 4 bilhões.

O operador da Finabank, Fábio Gomes de Oliveira, assinala que, num dia fraco de notícias com peso sobre o dólar, o mercado voltou a repercutir a possível revisão no ano que vem da nota atribuída ao Brasil pela Moody´s.

" Este movimento deu continuidade no dia, em que tivemos dados relativamente tranquilos nos Estados Unidos. Também ajudou a notícia de Meirelles (presidente do Banco Central) falando sobre a possibilidade de os juros subirem no curto prazo e dizendo que as eleições não impedirão a alta " , afirmou Oliveira.

O presidente do BC, Henrique Meirelle,s disse que não é por 2010 ser um ano eleitoral que a autoridade monetária não tomará medidas " antipáticas ou impopulares " , como elevar a taxa de juros.

Tais declarações também tiveram impacto sobre o mercado de juros futuros, contribuindo para um aumento nas posições defensivas no final do pregão.

Ao fim da jornada na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para abril de 2010, mais líquido do dia, avançava 0,01 ponto, a 8,76%, e o de julho, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, aumentava 0,05 ponto, a 9,32%.

Entre os vencimentos mais longos, o DI da virada deste ano subia 0,07 ponto, a 10,48%, enquanto o contrato para janeiro de 2012 ganhava 0,05 ponto, a 11,64%. Os DIs para os primeiros meses de 2013 e 2014 também avançavam 0,09 ponto e 0,06 ponto, a 12,05% e a 12,28% respectivamente.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foi verificado um forte volume de negócios, com 1.325.950 contratos, equivalentes a R$ 125,013 bilhões (US$ 68,075 bilhões), 20% acima do total registrado na quinta-feira. O vencimento para abril de 2010 foi o mais negociado, com 538.250 contratos, equivalentes a R$ 53,397 bilhões (US$ 29,077 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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