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01/03/2010 - 16h22

Contratos de juros futuros se ajustam para baixo na abertura de março

SÃO PAULO - Em alta ao longo da primeira etapa dos negócios, pressionados pelo novo aumento das expectativas inflacionárias do mercado, os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) mais curtos reduziram os prêmios e, ao fim do dia, apenas o com vencimento em abril mantinha-se em elevação.

A correção ocorre depois de uma semana de abertura da curva de juros futuros, com um aumento expressivo do volume de contratos negociados.

Ao fim da jornada na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de DI com vencimento na virada deste ano, o mais líquido do dia, recuava 0,02 ponto percentual, a 10,46%, enquanto o DI para janeiro de 2012 perdia 0,08 ponto, a 11,57%. Entre os vencimentos mais longos, janeiro de 2013 caía 0,09 ponto, a 11,97%, enquanto o DI para o primeiro mês de 2014 descia 0,11 ponto, a 12,21%.

Na ponta mais curta, julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, cedia 0,01 ponto, a 9,32%, enquanto abril subia 0,02 ponto, a 8,77%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 622.880 contratos, equivalentes a R$ 56,179 bilhões (US$ 31,021 bilhões), menos da metade do registrado sexta-feira (1.325.950 contratos). O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 235.565 contratos, equivalentes a R$ 21,651 bilhões (US$ 11,955 bilhões).

"Com a elevação de todas as expectativas para a inflação do Focus, o mercado de juros tinha toda razão para ficar pressionado", pontuou o economista-chefe do banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal.

Segundo ele, o maior direcionamento do mercado para a aposta no início do aperto monetário em março pode estar contribuindo para a redução das posições na ponta mais longa da curva.

"A curva está fechando muito mais em 2012 que em 2011, porque o mercado está trazendo os aumentos previstos para o próximo ano para este, com a avaliação de que o Banco Central não precisaria ir tão longe com o aumento da Selic, ainda mais depois dos compulsórios", observou o economista. Apesar do comentário, o banco segue projetando o começo do aperto apenas para abril.

Nesta manhã, o Boletim Focus, do Banco Central, mostrou a sexta elevação seguida do mercado para a projeção da inflação medida pelo IPCA neste ano, que desta vez passou de 4,86% para 4,91%. Para 2011, a estimativa, que era mantida há 86 semanas, também subiu, de 4,50% para 4,53%.

As instituições consultadas ainda voltaram a elevar em 0,25 ponto percentual sua projeção para a taxa Selic ao fim do próximo ano, de 11% para 11,25% anuais. Para o calendário atual, os agentes reforçaram a perspectiva de juros básicos em 11,25%.

Na agenda desta terça-feira, está prevista apenas a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), relativo a fevereiro.

(Beatriz Cutait | Valor)

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