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01/03/2010 - 13h22

Irã acha que Lula pode levar EUA a terem visão "realista" sobre Teerã

GENEBRA - O Irã e o Brasil têm posições "muito próximas" sobre as questões internacionais e Teerã espera que os pontos de vista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva levem os Estados Unidos a terem uma "visão mais realista" de Teerã.

Foi o que declarou hoje cedo o ministro iraniano das Relações Exteriores, Manouchehr Mottaki, numa entrevista em Genebra logo depois de a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), no Vietnã, reiterar que Teerã não está colaborando nas investigações sobre seu programa nuclear.

Teerã vê a visita da secretária de Estado americana Hillary Clinton ao Brasil, nesta quarta-feira, como uma "oportunidade importante para (os EUA) ouvirem o ponto de vista do presidente Lula" que, na expectativa do ministro, "pode levar (os americanos) a terem uma visão mais realista do Irã".

O presidente Lula vem recebendo críticas, também por parte dos EUA, por sua relação com Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, e por sua visita programada para Teerã em maio.

O ministro iraniano foi incisivo ao ser indagado sobre o que acha das críticas a Lula. "Você acha que o líder de um outro país estrangeiro tem de pedir autorização aos EUA para viajar?", retrucou. "O presidente Lula é o líder reconhecido do Brasil, país grande, independente e que decide por si só".

Segundo o representante iraniano, a visita do presidente Ahmadinejad no ano passado a Brasília foi uma "grande oportunidade" para tratar de assuntos bilaterais e temas internacionais que poderão ser aprofundados por ambos em maio, em Teerã.

Indagado se o presidente Lula poderá se encontrar com ativistas de direitos humanos no Irã, como pedem certas entidades, o representante de Teerã foi seco: "O planejamento foi acertado pelas propostas de sua excelência e a equipe de coordenação e, no momento certo, eles anunciarão esse programa".

Por outro lado, o ministro descartou a possibilidade de nomeação de um relator das Nações Unidas para investigar a situação dos direitos humanos no Irã. "Não está na ordem do dia", rechaçou. O Brasil defende que o Irã deixe entrar relatores da ONU.

Manouchehr Mottaki tratou de frisar, em todo caso, a existência de sólidas relações bilaterais entre Teerã e Brasília. Exemplificou inclusive com a "diplomacia telefônica" entre ele e o ministro Celso Amorim.

Na agenda do encontro de Hillary com o presidente Lula, está o programa nuclear do Irã, que Brasília considera como pacífico. A AIEA continua a ter suspeitas.
Na entrevista, o ministro iraniano reiterou que está cooperando "inteiramente" com a agência da ONU e que "isso vai continuar". Mas reclamou que a agência está também exigindo explicações do que não tem nada a ver com seu mandato.
Segundo ele, a AIEA está querendo "medir as intenções" do Irã com seu programa nuclear, no que vê um duplo padrão nas avaliações de países. "Como medir intenções, quando eles não conseguem sequer ver as centenas de ogivas nucleares de Israel ?"
Depois de atacar os EUA por "ajudar terroristas" no Iraque e no Afeganistão, o ministro estimou que Israel pode, "numa loucura", atacar o Irã. Mas previu que aí o cenário vai ser catastrófico de vez na região.

(Assis Moreira | Valor)

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