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04/03/2010 - 12h34

DIs têm pouca oscilação na BM&F; IPCA fica dentro do esperado

SÃO PAULO - Com um resultado dentro das expectativas de analistas, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro não faz preço no mercado de juros futuros, no qual os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) operam com pouca oscilação.

Na ponta mais curta da curva de juros da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), há pouco, o DI com vencimento em abril de 2011 estava estável, com taxa de 11,65%, e o de julho tinha aumento de 0,01 ponto percentual, para 12,07%.
Entre os DIs de prazos mais dilatados, o do início de 2012 registrava acréscimo de 0,01 ponto, a 12,56%, o contrato de abertura de 2013 apresentava alta de 0,02 ponto, a 12,84%, o de janeiro de 2014 recuava 0,01 ponto, a 12,78%, e o do início de 2015 cedia 0,02 ponto, a 12,72%.

Além disso, o contrato de abertura de 2016 preservava o patamar de 12,64%, enquanto o de janeiro de 2017 caía 0,01 ponto, a 12,55%.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que o IPCA subiu 0,80% em fevereiro, depois de elevação de 0,83% no primeiro mês de 2011. Em fevereiro de 2010, a inflação havia sido de 0,78%.

O grupo Educação saiu de uma alta de 0,30%, em janeiro, para uma inflação de 5,81%, um mês depois, respondendo por 51% do índice de fevereiro. No sentido contrário, a inflação de Alimentação e bebidas se desacelerou de 1,16% para 0,23%.
A avaliação da CM Capital Markets é de que, apesar da nova alta na base anual, a inflação já começa a apresentar um perfil mais benigno, sugerindo que tenha sido atingido um pico de curto prazo em fevereiro.
"A nossa projeção atual para o IPCA de março é de 0,45%, o que levaria o IPCA na base anual a recuar para 5,94%. A tendência de queda, segundo nossas projeções, deverá durar até maio, com o IPCA atingindo 5,62% nesse mês. Devido à base de comparação muito baixa do ano passado, a inflação, no entanto, deverá voltar a subir nos três meses subsequentes, podendo inclusive romper o teto da meta do BC em setembro. A nossa visão é de que o movimento será temporário e o IPCA deverá retomar uma tendência de baixa convergindo para o centro da meta ao final de 2012. Para tanto, o BC promoveria mais uma alta de 50 pontos na Selic, mantendo a taxa em 12,25% até o final do ano", comentou, em relatório, o estrategista-chefe Luciano Rostagno.

A LCA Consultores também acredita numa forte desaceleração do IPCA em março. "Avaliamos que algumas pressões oriundas dos alimentos se avizinham - projeção reforçada pelas altas que vêm sendo registradas pelos preços agropecuários no atacado desde o início de fevereiro. Contudo, vale destacar que não esperamos na leitura de março pressões sobre o grupo Alimentação e Bebidas como as vistas nos meses finais de 2010", observou a instituição.
Ela acrescentou que "também vale destacar o risco de alguma pressão adicional nos gastos com Transportes, pois o álcool tem registrado novas altas". Por outro lado, espera que os gastos com Educação registrem relevante diluição. "Com isso, projetamos para o IPCA fechado de março alta em torno de 0,50%."
Na agenda do dia, a Fundação Getulio Vargas (FGV) mostrou que o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) avançou 0,96% em fevereiro, taxa próxima da verificada um mês antes, de 0,98%.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informou, por sua vez, que o mercado brasileiro de veículos fechou fevereiro com a comercialização de 274,15 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. O volume superou em 24,1% as vendas do mesmo mês de 2010 e em 12% as de janeiro deste ano.

(Beatriz Cutait | Valor)
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