UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

04/03/2010 - 08h05

Bovespa recuou depois de quatro dias de alta e dólar teve alta

SÃO PAULO - O tom positivo que era observado nos mercados brasileiros desde o final de fevereiro deu lugar à instabilidade na quarta-feira. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou com leve baixa, depois de voltar a testar os 68 mil pontos. O dólar teve a primeira apreciação em três dias. Já no mercado de juros futuros, os contratos recuperaram prêmio de risco.

A agenda foi carregada, com destaque para os indicadores da economia americana. A ADP, empresa que processa folhas de pagamento nos EUA, mostrou contração no emprego privado pelo 25º mês consecutivo.

Segundo a ADP foram perdidos 20 mil postos de trabalho no mês passado. Já os dados de janeiro foram revisados de uma perda de 22 mil para 60 mil.

Para a empresa de análises de mercado 4Cast, o ponto a ser ressaltado é que o setor de serviços voltou a criar vagas em fevereiro - foram 17 mil postos, o que indica um sinal de melhora nas perspectivas de emprego.

Uma confirmação sobre essa maior atividade no segmento de serviços foi obtido com os dados do ISM sobre o setor. O índice que mede a atividade subiu de 50,5 em janeiro para 53 em fevereiro, melhor leitura em dois anos.

Ainda de acordo com a 4Cast, a ADP mostrou que a questão climática teve pouco impacto sobre a pesquisa, mas que, em função em diferenças metodológicas, os dados oficiais, calculados pelo Departamento de Trabalho, devem responder de forma mais acentuada ao rigoroso inverno nos EUA. Por isso, os números oficiais, que serão apresentados na sexta-feira, devem mostrar um corte ainda mais acentuado de vagas.

Na parte da tarde, as atenções se voltaram ao Livro Bege, do Federal Reserve (Fed), banco central americano. A sondagem mostrou que a economia americana segue em recuperação, apesar do inverno severo que atinge algumas regiões do país. Segundo o Fed, dos 12 distritos regionais do Fed, nove apontaram melhor situação econômica. O que desagradou um pouco, mas não causa surpresa, é a sinalização de que o mercado de trabalho continua brando e a que demanda por empréstimos é fraca.

Também nos EUA, o presidente do Fed de Boston, Eric Rosengren, disse em entrevista que as taxas de juros próximas de zero são " totalmente apropriadas " em função do ritmo lento de recuperação da economia. A mesma opinião foi dada pelo presidente do Fed de Atlanta, Dennis Lockhart.

Ainda no campo externo, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE) teceram comentários positivos sobre o anúncio do governo Grécia de reduzir despesas em 4,8 bilhões de euros.

Voltando o foco para o mercado local, pelo segundo dia seguido, a Bovespa não conseguiu romper a resistência técnica dos 68 mil pontos.

As compras que vinham firmes desde a abertura esbarraram na falta de rumo do mercado americano, levando o Ibovespa a fechar com queda de 0,20%, aos 67.641 pontos. Na máxima, o índice bateu nos 68.813 pontos. Chama atenção o giro financeiro de R$ 7,53 bilhões, o maior desde 9 de fevereiro.

O economista-chefe da consultoria UpTrend, Jason Vieira, observou que, apesar de alguns dados positivos, falta convicção entre os agentes para retomar as compras. Depois de quatro dias seguidos de alta, existia um bom motivo para garantir os ganhos recentes.

Em Wall Street, os índices fecharam próximos da estabilidade. O mesmo questionamento quanto à formação de novas posições surge conforme os índices passam a se aproximar das máximas do ano. O Dow Jones terminou com decréscimo de 0,09%, enquanto o S & P 500 ganhou 0,04%. O Nasdaq encerrou estável.

No câmbio, a briga acirrada entre compradores e vendedores também marcou o pregão. A moeda fez máxima de R$ 1,795 e mínima de R$ 1,775 antes de fechar a R$ 1,790 na venda, valorização de 0,44% sobre o preço de terça-feira.

Já na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar diminuiu 0,17%, para R$ 1,779. O volume recuou de US$ 116 milhões para US$ 34,5 milhões. Já os negócios no interbancário cederam de US$ 3,3 bilhões para US$ 2 bilhões.

No mercado de juros futuros, o dia foi de ajuste técnico depois de dois dias seguidos de aumento de prêmios de risco. Os agentes também operam no aguardo de novos indicadores sobre a economia local. Hoje sai a produção industrial e, na sexta-feira, será divulgado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro.

Ao fim da jornada na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento na virada deste ano, o mais líquido do dia, subia 0,02 ponto percentual, a 10,46%, enquanto o DI de janeiro de 2012 avançava 0,04 ponto, a 11,61%. Já o contrato do primeiro mês de 2013 estava estável, em 11,97%, enquanto o de janeiro de 2014 tinha alta de 0,01 ponto, a 12,18%.

Na ponta mais curta da curva, o DI de julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, aumentava 0,01 ponto, a 9,32%, enquanto o contrato de abril mantinha taxa de 8,775%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 424.995 contratos, equivalentes a R$ 36,723 bilhões (US$ 20,572 bilhões). O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 146.875 contratos, equivalentes a R$ 13,514 bilhões (US$ 7,570 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host