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04/03/2010 - 16h22

Curva de juros fecha sem inclinação, com mercado à espera do IPCA

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros reagiram com queda na maior parte da jornada à divulgação de novos indicadores referentes à atividade doméstica brasileira, nesta quinta-feira. Embora os dados relativos à produção da indústria não tenham trazido surpresas para os agentes, o que contribuiu para a redução dos prêmios de risco embutidos na curva ao longo dos negócios, a maior cautela do mercado voltou no fim da sessão, em meio à expectativa em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro.

Ao fim da jornada na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento na virada deste ano, o mais líquido do dia, operava estável, a 10,46%, enquanto o contrato de janeiro de 2012 perdia 0,02 ponto percentual, a 11,61%. Também mantiveram os mesmos patamares de ontem os DIs dos primeiros meses de 2013 e de 2014, a 11,98% e 12,17%, respectivamente.

Entre os vencimentos curtos, de 2010, o contrato de julho, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, ficava estável, a 9,32%, e o de abril caía 0,01 ponto, a 8,77%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 671.380 contratos, equivalentes a R$ 60,407 bilhões (US$ 33,849 bilhões), um volume 58% superior ao de ontem. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 212.445 contratos, equivalentes a R$ 19,555 bilhões (US$ 10,958 bilhões).

Entre os destaques do dia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que a produção industrial avançou 1,1% entre dezembro de 2009 e janeiro deste ano, na série com ajuste sazonal. Na comparação anual, foi verificada expansão de 16%.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) ainda informou que o nível de utilização da capacidade da indústria ficou praticamente estável em janeiro, em 81,4%, após situar-se em 81,5% em dezembro de 2009, em termos dessazonalizados. Em janeiro de 2009, o uso da capacidade da indústria correspondeu a 77,8%.

Por fim, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou que a produção da indústria automobilística somou 253,2 mil veículos em fevereiro, uma alta de 23,9% em relação ao mesmo mês de 2009 (204,4 mil unidades). Na comparação com janeiro, quando foram registradas 246,4 mil unidades, a produção de veículos teve crescimento de 2,8%.

O sócio da Oren Investimentos, Jacob Weintraub, assinala que a curva de juros segue num processo de ajuste, tendo em vista a maior cautela do mercado em relação à aceleração da inflação.

"A produção foi forte, mas dentro do esperado. O que está afetando os DIs nas últimas duas semanas é a dinâmica que não é de hoje, mas resultado de uma sequência de dados divulgados, especialmente em relação à inflação, que tem vindo mais forte que o previsto. A curva está num processo de abertura, com a percepção do mercado de que a alta dos juros pode começar em março", comentou.

Nas duas últimas semanas, a taxa precificada pelo DI de janeiro de 2011 aumentou quase 200 pontos, ao passar de 10,27% para 10,46% A Oren Investimentos avalia que não há urgência para o Banco Central (BC) elevar a Selic e espera que o aperto só comece em abril.

"Achamos que o BC tem tempo para avaliar os efeitos da retirada do pacote anti-crise, dos compulsórios e se a alta da inflação no início do ano foi pontual ou não", afirmou Weintraub, que estima um aumento próximo de 250 pontos da Selic ao longo do ciclo.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro teve venda integral de 1 milhão de títulos ofertados no leilão tradicional de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), a R$ 4,156 bilhões. No leilão de Letras do Tesouro Nacional (LTN), a instituição vendeu 2,7 milhões das 3 milhões de notas ofertadas, a R$ 2,111 bilhões, enquanto na operação de Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F), o Tesouro vendeu 1,106 milhão de 1,250 milhão de títulos ofertados, a R$ 1,014 bilhão.

Na sexta-feira, o foco do mercado estará voltado à divulgação do IPCA de fevereiro, às 9h.

(Beatriz Cutait | Valor)

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