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04/03/2010 - 13h59

Dados da CNI e IBGE mostram reaquecimento da indústria

BRASÍLIA - Embora diferenciadas, as coletas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) convergem ao mostrar o reaquecimento da indústria em janeiro deste ano. A expectativa dos empresários é de retorno aos indicadores positivos pré-crise antes do fim de 2010.

Hoje, o IBGE apontou que houve alta de 1,1% na produção industrial em janeiro sobre o último mês de 2009. Já a CNI divulgou que o faturamento real mensal da indústria recuou 3,6%, também em dados com ajuste sazonal. A queda, porém, foi sobre um acréscimo recorde de 5,2% nas vendas em dezembro; por isso, minimizada pelos empresários.

"São conceitos diferentes", disse o economista-chefe da CNI, Flávio Castelo Branco, ao explicar que o IBGE apura a fabricação, a produção industrial física, enquanto o indicador da CNI capta o valor real (deflacionado pelo IPCA) das vendas da indústria. "Pode haver ligeira discrepância, ao se produzir num mês e vender no outro, mas é coisa pequena", continuou ele.

Castelo Branco aponta ainda que o indicador da CNI para a produção, as horas trabalhadas, mostrou crescimento de 0,6% (dessazonalizado) sobre dezembro, referendando os dados do IBGE.

Outro destaque positivo é o emprego, com alta de 2%, a maior para meses de janeiro desde 2003 e em crescimento por cinco meses consecutivos.
"A situação está num grau de normalidade. A maioria dos setores prossegue a trajetória de recuperação acenada ao fim do ano passado, embora a indústria esteja um ano e meio atrasada, do ponto de vista do crescimento", diz o economista.

Ele ressaltou que ainda falta para um retorno do desempenho da indústria aos níveis de crescimento pré-crise. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) é um exemplo: registrava 81,4% em janeiro deste ano, 2,3 pontos percentuais abaixo da evolução verificada em setembro de 2008 (83,7%).

O uso da capacidade instalada ficou estável em relação a dezembro, quando o indicador dessazonalizado correspondeu a 81,5%.

"Isso mostra que ainda há ociosidade, que há um preenchimento gradual da capacidade instalada. Portanto, existe espaço para a produção crescer sem pressão inflacionária", avaliou Marcelo de Ávila, outro economista da CNI.

Ressaltando que o setor exportador "tem um caminho ainda agudo" de recuperação, Castelo Branco disse ter a expectativa de retorno dos indicadores industriais ao ritmo de crescimento pré-crise "bem antes do fim do ano".

(Azelma Rodrigues | Valor)

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