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04/03/2010 - 12h11

Dados de atividade em linha com o esperado levam à queda dos DIs

SÃO PAULO - Depois de dois dias parados para o mercado de juros futuros, sem a divulgação de indicadores de peso para a trajetória dos Depósitos Interfinanceiros (DIs), a quinta-feira conta com uma agenda carregada de dados referentes à atividade doméstica.

O destaque do dia fica com a produção industrial brasileira, que avançou 1,1% entre dezembro de 2009 e janeiro deste ano, na série com ajuste sazonal. Na comparação anual, foi verificada expansão de 16%. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 12 meses, o indicador registra baixa de 5%.

Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que o nível de utilização da capacidade da indústria ficou praticamente estável em janeiro, em 81,4%, após situar-se em 81,5% em dezembro de 2009, em termos dessazonalizados. Em janeiro de 2009, o uso da capacidade da indústria correspondeu a 77,8%.

O estrategista-chefe da CM Capital Markets, Luciano Rostagno, ressalta que os números do IBGE e da CNI vieram em linha com o projetado pelo mercado e reforçam a perspectiva de início do aperto monetário apenas em abril.

"Os números da produção industrial confirmam a expectativa de forte crescimento do setor para o ano. Ainda assim, os números confirmam que não há um crescimento explosivo da atividade em curso, eliminando o caráter de urgência para a elevação dos juros", afirmou.

Nesta manhã, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) ainda informou que a produção da indústria automobilística somou 253,2 mil veículos em fevereiro, uma alta de 23,9% em relação ao mesmo mês de 2009 (204,4 mil unidades). Na comparação com janeiro, quando foram registradas 246,4 mil unidades, a produção de veículos teve crescimento de 2,8%.

No front externo, também foram anunciadas decisões de bancos centrais referentes às respectivas taxas de juros. O Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra manteve a taxa da região em 0,5% e decidiu manter o plano de compra de ativos em 200 bilhões de libras. O Banco Central Europeu (BCE) também decidiu conservar a principal taxa de juro da zona do euro em 1%.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), as posições vendedoras ganham força nos negócios. Na parte longa da curva, o Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2011, referência de mercado, registrava, há pouco, decréscimo de 0,01 ponto percentual, a 10,45%, enquanto o contrato de janeiro de 2012 recuava 0,03 ponto, a 11,60%, e o de janeiro de 2013 cedia 0,01 ponto, a 11,97%.

Na parte curta da curva, o DI com vencimento em julho de 2010, que divide as apostas entre alta de juros no primeiro ou segundo semestre, mantinha taxa de 9,32%, enquanto abril de 2010 recuava 0,029 ponto, a 8,751%. "Ontem à tarde, o mercado deu uma puxada forte na curva de juros, provavelmente relacionada a uma aposta de produção industrial mais forte, com alta acima de 1,5% em janeiro. O número em linha com a projeção da maior parte do mercado força um desmonte de posições hoje", pontuou Rostagno.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro realiza leilão tradicional de Letras do Tesouro Nacional (LTN), Letras Financeiras do Tesouro (LFT) e de Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F).

(Beatriz Cutait | Valor)

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