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04/03/2010 - 10h18

Carnes e feijões puxam desaceleração dos alimentos em fevereiro

RIO - Os preços dos alimentos sofreram, em fevereiro, forte desaceleração, passando de 1,16% de alta em janeiro, para 0,23% no mês passado. Apesar do movimento, o gurpo alimentação e bebidas contribuiu com 1,91 ponto percentual na alta de 4,37% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nos últimos seis meses, o equivalente a 43,91% do índice.
No período, os alimentos subiram 8,15%. Apesar da desaceleração dos alimentos, o IPCA fechou fevereiro em 0,80%, no maior patamar para um mês de fevereiro desde os 1,57% de 2003.

De acordo com os dados apresentados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a desaceleração de 0,93 ponto percentual dos alimentos entre janeiro e fevereiro foi a maior no grupo desde a passagem de abril para maio de 2010, quando a desaceleração foi de 1,17 ponto percentual.

A desaceleração dos alimentos no mês passado foi puxada pelas carnes e feijões. As carnes, que têm peso de 2,63% no IPCA, reduziram os preços em 2,81% em fevereiro, segundo o IBGE, da redução do consumo.
Já os feijões tiveram redução de preços devido ao aumento da oferta no mercado. No mês passado, o preço do feijão carioca caiu 10,50%, acumulando baixa de 23,94% no ano. O feijão fradinho teve recuo de 9,15% em fevereiro e 9,30% no ano, enquanto o feijão preto baixou 3,15% no mês passado e 7,16% no primeiro bimestre.

"Nos feijões foi uma derrubada. O feijão, como se diz, está nos mercados a rodo", brincou a coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos. "O feijão não é uma cultura de plantio de forma organizada. São muitos agricultores e, se o preço sobe num ano, estimula o plantio no ano seguinte", acrescentou, lembrando que em 2010 os feijões puxaram para cima a inflação.

Para março, já podem ser adiantadas algumas pressões de preços administrados. No Rio de Janeiro haverá um resíduo da alta de 12% dos trens (transportes) em 2 de fevereiro, enquanto, em Porto Alegre, o resíduo será da alta de 10,20% dos ônibus urbanos, em 9 de fevereiro.
Em São Paulo, o metrô e o trem subiram 9,43% em 13 de fevereiro e em Brasília a pressão será no reajuste de 7,23% da água e esgoto em 1º de março. Outra fonte de pressão que precisa ser acompanhada é sobre as passagens aéreas, uma vez que a taxa de embarque vai ficar 5,25% mais cara no dia 14 de março e a querosene de aviação (QAV) foi reajustado em 6,25% em 1º de março.

(Rafael Rosas | Valor)
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