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04/03/2010 - 16h34

Novo diretor da CVM defende máximo de informações para investidores

RIO - Aumentar a qualidade das informações disponibilizadas aos investidores do mercado de capitais. Com esse objetivo principal, Alexsandro Broedel Lopes tomou posse hoje na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), na vaga de Eliseu Martins.

Lopes lembrou que o principal desafio da autarquia em 2010 será acompanhar a introdução das novas normas contábeis internacionais, o IFRS, pelas empresas brasileiras ao longo do ano.

O novo diretor lembrou que as novas normas contábeis criam um "arcabouço informacional" que as regras anteriores aplicadas no Brasil não possuíam. O primeiro efeito, segundo ele, são balanços maiores, mas para a instituição que regula o mercado de capitais no Brasil o principal esforço em 2010 será o "enforcement", o esforço para que as novas regras sejam cumpridas, possibilitando aos investidores um volume maior de informações.

"O Brasil sai de um padrão pobre de informação, para uma nova estrutura que põe um peso muito maior nas informações", ressaltou Lopes, lembrando que a CVM abrirá concurso para 165 vagas justamente no período em que se torna necessária uma ação de maior fiscalização em relação à aplicação das novas normas contábeis.

O diretor lembrou que um evento como os derivativos que abalaram empresas como Aracruz e Sadia em meio à crise financeira internacional não seria evitado pela simples adoção das novas normas, mas seria obrigatório a transparência sobre o uso da ferramenta financeira.

"O sistema é de informação, de 'full disclosure', para investidores atuais e potenciais", disse Lopes.

Pela regulamentação, as empresas já podem apresentar os resultados anuais e trimestrais com base o IRFS. Companhias como AmBev e Souza Cruz já publicaram os números de 2009 com base nas novas regras. Outras passarão a apresentar os resultados trimestrais pelo IFRS. Em termos de obrigação, apenas os resultados fechados de 2010 têm que estar de acordo com o IFRS, o que traz outra obrigação, a de retroagir os resultados de 2009 para o novo sistema.

Lopes frisou que a resistência das empresas às novas normas está "muito menor que se poderia esperar". O novo diretor, egresso da USP, afirmou que a convergência tem sido tranquila e suave, uma vez que muitas empresas brasileiras que possuem American Depositary Receipts (ADRs) já sentiam a necessidade de publicar informações em um sistema mais abrangente e com maior número de informações.

"A informação beneficia as próprias companhias", resumiu Lopes, lembrando que estudos acadêmicos indicam que 1 ponto percentual de melhora no índice de "disclosure" - que mede o nível de transparência e o volume de informações - significa uma queda, em média, de 0,28% no custo de capital das companhias. "As evidências acadêmicas são sólidas em relação à redução do custo de capital", acrescentou.

Questionado sobre eventuais questionamentos da operação de capitalização da Petrobras, Lopes ponderou que não conhece a fundo o processo, mas que este será analisado quando chegar à autarquia.

(Rafael Rosas | Valor)

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