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04/03/2010 - 11h22

Produção industrial de janeiro mostra recuperação ante fim de 2009

RIO - A produção industrial em janeiro mostrou um ritmo de recuperação depois das quedas nos últimos dois meses de 2009. A alta de 1,1% na produção verificada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anulou as duas quedas observadas em novembro e dezembro do ano passado, com destaque para os bens de consumo duráveis e os bens intermediários, que avançaram 8,6% e 2%, respectivamente, na comparação com o último mês de 2009.

O resultado de janeiro mostrou ainda uma aproximação dos patamares anteriores à crise internacional. Na comparação com setembro de 2008, mês em que a produção atingiu o pico antes de ser afetada pela turbulência, o patamar de janeiro ficou 4,9% abaixo do registrado naquele período. Em dezembro, a diferença de produção para setembro era de 5,9%. O avanço em janeiro foi puxado pelos bens intermediários, que estão apenas 0,8% abaixo do patamar de setembro de 2008, enquanto, em dezembro, essa diferença era de 2,7%.

Nas outras categorias de uso, os bens de consumo duráveis ficaram 1,2% abaixo do nível pré-crise, enquanto os bens de consumo não-duráveis ainda são 2% menores e os bens de capital seguem como os mais afetados, com patamar 11,6% inferior ao de setembro de 2008.

O economista da coordenação de indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), André Macedo, ressaltou que a retomada de setores voltados à exportação, como a extrativa mineral, contribuiu para o avanço dos bens intermediários, que crescem há 13 meses seguidos na série com ajuste sazonal.

" Os bens intermediários têm um ganho maior, dada a sequência de resultados positivos, influenciado pela normalização dos estoques e do mercado externo. O minério de ferro e os produtos metalúrgicos ajudam a entender o ganho maior dos intermediários " , explicou Macedo, lembrando que o maior impulso de alta em janeiro, na série com ajuste sazonal, veio dos produtos metalúrgicos, com ampliação de 12%.

O economista também chamou atenção para os bens de consumo duráveis, que tiveram forte avanço em decorrência principalmente dos materiais eletroeletrônicos e de comunicações, que subiram 14,3% em janeiro, na comparação com o mês anterior. Macedo lembra ainda que mesmo a queda de 0,1% dos bens de capital acontecem depois de nove meses seguidos de alta. " Esse recuo pode ser entendido como uma acomodação " , ponderou Macedo.

Na série comparativa com janeiro do ano passado, o crescimento de 16% da produção industrial foi o maior para um mês de janeiro desde os 16,9% de 1995. Impulsionada pelo fraca base de comparação, a alta veio acompanhada de um índice de difusão de 67%, o maior para qualquer mês desde os 74% de agosto de 2004. Mais uma vez, o principal destaque ficou por conta dos bens intermediários, com avanço de 20,2%, e pelos bens duráveis, com 36,4% de ampliação. Nesta setor, a produção de celulares cresceu 59,7%, enquanto a linha branca avançou 32,4% e a linha marrom cresceu 39,5%.

Entre os bens intermediários, o destaque ficou para os 55% da indústria extrativa mineral, enquanto a metalurgia básica cresceu 34,5% e os veículos automotores, com a produção de autopeças, subiu 42,1%. Macedo também lembrou o crescimento de 12,8% dos bens de capital, com destaque especial para os bens de capital para a construção, cuja produção subiu 202,6%.

" A produção de bens de capital para construção cresce 202,6% em janeiro, fruto de uma base de comparação que estava praticamente parada em janeiro do ano passado " , ressaltou.

(Rafael Rosas | Valor)

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