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04/03/2010 - 17h02

Recall não abala confiança em carro nacional, diz Anfavea

SÃO PAULO - Os recalls anunciados recentemente por montadoras instaladas no Brasil não devem abalar a confiança do consumidor nos veículos produzidos no país, disse hoje o presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider.

Para o executivo - que está no penúltimo mês do mandato à frente da entidade - as chamadas feitas pelos fabricantes para correção de problemas nos veículos surgiram como uma ação de respeito ao consumidor.

De acordo com ele, as marcas envolvidas já estão estabelecidas no país e desfrutam da confiança do consumidor. Além disso, Schneider destacou que esses recalls são feitos de modo transparente e ágil.

Só no mês passado, a Volkswagen convocou 193,62 mil veículos dos modelos Novo Gol e Voyage para a inspeção dos rolamentos das rodas traseiras, enquanto a Honda chamou 186,9 mil carros do modelo Fit para a instalação gratuita de uma proteção adicional no interruptor principal do comando dos vidros elétricos.

Fora os fabricantes instalados no Brasil, a Volvo convocou, também em fevereiro, os proprietários de 322 carros do modelo XC60 a comparecerem nas oficinas da marca para a inspeção dos cintos de segurança do motorista e do passageiro.
A montadora sueca já tinha feito em dezembro um recall referente a esse problema para 1,62 mil unidades. Porém, um lote de carros havia sido embarcado para o Brasil após o anúncio.

"Quem trabalha assim melhora sua imagem ao consumidor", considerou o presidente da Anfavea durante apresentação à imprensa dos números da indústria automobilística em fevereiro, quando foram produzidos 253,2 mil veículos no país, 2,8% acima do volume de janeiro.
Durante o evento, Schneider também fez considerações sobre a recuperação das exportações das montadoras brasileiras, que atingiram 57,51 mil veículos em fevereiro, maior volume em um mês desde outubro de 2008 (68,6 mil unidades).

De acordo com o executivo, essa retomada segue uma demanda mais forte de mercados na América Latina, sobretudo na Argentina, no Chile, no México e na Colômbia.

Apesar disso, Schneider ponderou que a volta da demanda internacional aos níveis pré-crise ainda se dá muito lentamente, dado que as vendas para a Europa seguem fracas e que a recuperação dos Estados Unidos tem sido apenas tímida. "Não esperamos uma recuperação abrupta desses mercados", disse.
A entidade projeta para este ano exportações de 530 mil veículos, 11, 5% acima das 475,3 mil unidades do ano passado, mas ainda muito abaixo do nível de 2008 (734,6 mil veículos).

Schneider voltou a expressar a preocupação sobre a situação de competitividade da indústria brasileira no mercado internacional, diante do ambiente de dólar fraco, carga tributária elevada e gargalos na logística.
"Nossa condição de competitividade é diferente. Não necessariamente vamos voltar a ter a participação que tínhamos antes (em alguns mercados)", apontou.

Nesse sentido, o mandatário da Anfavea disse que as medidas de apoio a exportações estudadas pelo governo devem vir no sentido de desonerar a indústria e desobstruir barreiras de logística às exportações. "Se os anúncios forem nesse tom, serão bem-vindos", disse aos jornalistas.

(Eduardo Laguna | Valor)

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