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04/03/2010 - 08h45

Recusa de mineiro à vice convence correligionários

BRASÍLIA - A passagem dos governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) pelo Congresso, ontem, para a sessão solene em comemoração ao centenário do presidente Tancredo Neves e 25 anos da Nova República, aumentou a incerteza - e a irritação - de tucanos e aliados com relação à chapa oposicionista à eleição presidencial.

Em reunião realizada após a sessão, Aécio foi convincente ao expor as razões pelas quais não quer ser candidato a vice. Os senadores - e alguns deputados presentes - saíram da conversa certos de que o mineiro será mesmo candidato ao Senado, encerrando a cogitação de seu nome para compor a chapa. " Não admito ser empurrado. Ninguém vai empurrado " , repetiu várias vezes, atribuindo a frase ao avô.

Serra, por sua vez, frustrou as expectativas de parlamentares do PSDB, do DEM e do PPS que aguardavam posição mais afirmativa sobre sua candidatura. Não se esperava um lançamento oficial, mas uma garantia às bancadas de que ele, a partir de 3 de abril, será o candidato.

Serra chegou atrasado e a reunião prevista para acontecer antes da sessão solene não aconteceu. Ficou, então, previsto um encontro após a cerimônia. Mas o paulista foi embora sem dar entrevista, participar de reunião ou dar qualquer sinalização.

Hoje, os tucanos se reúnem novamente na inauguração da nova sede do governo mineiro (Cidade Administrativa Tancredo Neves). Serra confirmou presença. Todos os 14 senadores do PSDB irão, além de demistas. A ideia é prestigiar Aécio, mostrar unidade e transformar a obra num símbolo da gestão tucana. Após a solenidade, Aécio receberá convidados para almoço. Pode ser oportunidade para um sinal mais afirmativo de Serra.

Ontem, por onde passava, o governador paulista ouvia, ao pé do ouvido, críticas à estratégia de demorar a assumir a pré-candidatura, enquanto a campanha de Dilma Rousseff avança. Segundo o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), a dúvida tem que ser esclarecida ainda nesta semana.

Dirigentes tucanos apontam o comportamento do paulista como comprovação de sua candidatura. A ida dele ontem a Brasília foi um exemplo: era o único governador presente além de Aécio, neto do homenageado. Serra confirmou também presença na festa de aniversário do senador Marconi Perillo (PSDB).

Para boa parte de tucanos e demistas, no entanto, é pouco. A ala menos simpática à candidatura de Serra, que desde sempre não quis apoiá-lo, alimenta rumores de troca de candidatos e até de lançamento de candidatura própria do DEM. Ao contrário de Serra, Aécio deu entrevista e reuniu-se com aliados após a sessão solene. À imprensa, reafirmou que será mais útil à campanha presidencial dedicando-se à eleição em Minas. " Vejo no governador Serra, independentemente do seu companheiro de chapa, todas as condições para travar um belo embate de idéias e, quem sabe, vencer as eleições. Acho muito possível que vençamos as eleições. E acho que meu papel hoje - estou convencido disso - é estar em Minas. " Aécio afirmou que há " aflição " e que cabe a Serra conduzir o processo. " Temos que ter serenidade, que falta a alguns atores políticos hoje " , disse. Aécio negou a possibilidade de ser responsabilizado por eventual derrota do PSDB. " Serei responsável por meus atos políticos. " Após a sessão em homenagem ao avô, o mineiro foi encurralado no gabinete da liderança do partido no Senado. Queriam uma posição definitiva sobre a Vice. Ele afastou definitivamente a hipótese. Disse ter pesquisas que não recomendam a opção. Está convencido de que deve ser candidato a senador e cuidar da campanha de Antonio Anastasia (PSDB) a governador. Afirmou, ainda, que a questão da Vice está sendo muito valorizada. Acha que num primeiro momento seria festejado como vice, mas dois meses depois isso não teria mais importância.

O momento de maior descontração de Serra, ontem, foi na saída, pouco antes de entrar no carro para ir embora. Foi abordado por uma equipe do programa CQC, da TV Bandeirantes, que lhe ofereceu pipoca e perguntou se ele seria candidato a presidente ou iria " pipocar " . Sobre a candidatura, Serra disse que saberiam na hora certa. Mas pegou um pouco de pipoca.

(Raquel Ulhôa | Valor)

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