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05/03/2010 - 17h14

Aversão a risco diminui no câmbio, mesmo com declarações de Mantega

SÃO PAULO - O mercado cambial teve uma sexta-feira de maior tranquilidade, em meio a um cenário de menor aversão a risco, tendo em vista dados mais animadores relativos à situação de emprego nos Estados Unidos.

Hoje cedo, o Departamento do Trabalho americano revelou que a economia do país perdeu 36 mil postos de trabalho no mês passado, número melhor que o esperado por alguns economistas. Em janeiro, a economia americana havia registrado corte de 26 mil postos de trabalho.

A taxa de desemprego permaneceu em 9,7% nos Estados Unidos no mês passado, mesmo nível registrado na abertura de 2010.

Em baixa ao longo de toda sessão, a moeda americana, que oscilou entre mínima de R$ 1,777 e máxima de R$ 1,791, fechou em queda de 0,27%, a R$ 1,785 na compra e a R$ 1,787 na venda.

Na semana, que contou com três dias de queda e dois de alta, a divisa americana acumulou perda de 1,11%. No ano, o dólar ainda está no campo positivo, apreciado em 2,52%.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar caiu 0,37%, para R$ 1,7843. O volume caiu de US$ 53,75 milhões, na quinta-feira, para US$ 45,75 milhões hoje. Já os negócios no interbancário subiram de US$ 1,6 bilhão para US$ 1,7 bilhão, no mesmo período.

Em leilão de compra de dólar no mercado à vista, realizado pelo Banco Central (BC), a taxa de corte correspondeu a R$ 1,7793.

Declarações sobre o câmbio feitas na parte da manhã pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegaram a deixar o mercado mais receoso, o que não impediu, contudo, a força vendedora dos agentes.

O ministro reafirmou que a valorização do real perante outras moedas é inevitável, mas que é melhor que tal movimento seja gradual. Ele defendeu a iniciativa de taxar com IOF os investimentos estrangeiros em bolsa e lembrou que "ainda há outras medidas que podem ser tomadas, uma vez que parte da valorização se dá no mercado futuro".

"Temos de analisar onde está se dando a maior entrada de capitais. Por exemplo, alguns bancos se expõem a risco em operações financeiras. Podemos tentar reduzir a exposição cambial ou exigir um aporte maior de capital" disse.

Para Mantega, a apreciação da divisa brasileira é natural, uma vez que não existe economia forte com moeda fraca, mas é preciso evitar uma valorização repentina. "Há algum tempo, declarações do Mantega sobre o câmbio conseguiram segurar o mercado, mas hoje não foi suficiente. A alta do real estava com mais consistência, a aversão ao risco diminuiu com números melhores de desemprego nos Estados Unidos", comentou o gerente de câmbio da Treviso, Reginaldo Galhardo.

A agenda de indicadores da próxima semana será fraca no front externo. O destaque ficará por conta da divulgação das vendas do varejo americano, na sexta-feira.

(Beatriz Cutait | Valor)

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