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05/03/2010 - 08h11

Bovespa subiu ontem com ajuda da Vale e dólar foi a R$ 1,792

SÃO PAULO - Os mercados brasileiros voltaram a " andar de lado " na quinta-feira, ou seja, não saíram do lugar. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) garantiu leve valorização e o dólar teve leve alta. Os contratos de juros futuros fecharam próximos da estabilidade.

Na agenda do dia, mais uma rodada de indicadores díspares sobre a economia americana. Foi divulgada uma alta de 1,7% nos pedidos à indústria americana durante o mês de janeiro. Já o setor imobiliário deu novas mostras de enfraquecimento. O índice que mede a assinatura de contratos de vendas de imóveis usados caiu 7,6% no começo deste ano.

Com viés mais positivo, o Departamento de Trabalho dos EUA mostrou que a demanda por seguro-desemprego recuou na semana passada. Foram 29 mil requisições a menos, totalizando 469 mil pedidos.

Dia movimentado, mas sem surpresas na Europa. O Banco da Inglaterra (BoE) manteve a taxa básica de juros estável em 0,5% ao ano, conforme o esperado, e o Banco Central Europeu (BCE) também segurou a taxa básica em 1% ao ano.

Voltando ao mercado local, a Bovespa começou o dia acima dos 68 mil pontos, operou em baixa em parte da tarde, mas, com ajuda das ações da Vale, fechou com variação positiva.

O Ibovespa oscilou mais de 1.200 pontos entre máxima e mínima até fechar com leve valorização de 0,26%, aos 67.814 pontos. O giro foi de R$ 5,56 bilhões.

Em Wall Street, as compras ganharam força no fim da jornada e o Dow Jones fechou com avanço de 0,46%, a 10.444 pontos, passando a acumular ligeira alta de 0,15% em 2010. O S & P 500 subiu 0,37%. Já o Nasdaq aumentou 0,51%. Com isso, os índices avançam 0,63% e 1% no acumulado do ano.

Na visão do assessor de investimentos da Corretora Souza Barros, Luiz Roberto Monteiro, a Bovespa vai continuar patinando até que sejam resolvidos os problemas envolvendo os déficits fiscais de alguns países europeus.

Apesar de alguns avanços, como novos cortes de despesas e forte demanda pelos títulos da Grécia, os agentes não estão confortáveis em ampliar posições em ativos de risco.

O especialista ressaltou que o que movimentou o pregão foram as notícias sobre o reajuste no preço do minério de ferro, que poderia subir em até 80% em 2010. " Todo mundo falou, mas ninguém viu reajuste " , resumiu Monteiro, lembrando que também falta estabelecer o preço base sobre o qual será aplicado algum reajuste.

Verdade ou não, esses ruídos levaram alguns agentes a montar posições em ações da Vale, o que acabou contribuindo para os ganhos do dia. O papel PNA da mineradora movimentou mais de R$ 900 milhões, até fechar com elevação de 1,45%, a R$ 46,00. Já o ON subiu 1,38%, a R$ 52,60. Acompanhando a Vale, o papel ON da MMX Miner teve acréscimo de 2,31%, para R$ 13,26.

No câmbio, as ordens de compra acabaram prevalecendo, mas por pequena margem. Depois de cair a R$ 1,783 na mínima, o dólar comercial terminou com apreciação de 0,11%, a R$ 1,792 na venda. No mês, a divisa acumula baixa de 0,83% e, no ano, valorização de 2,81%.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar subiu 0,67%, para R$ 1,7909. O volume aumentou de US$ 34,5 milhões para US$ 53,75 milhões. Já os negócios no interbancário caíram de US$ 2 bilhões para US$ 1,6 bilhão.

" O mercado ficou mais de olho no movimento do euro, que ficou pressionado em relação ao dólar, apesar da notícia da Grécia. Também pesaram contra o real os dados ruins divulgados nos Estados Unidos " , afirmou o operador da Hencorp Commcor, João Paulo Carvalho.

Apesar de dados relevantes na agenda doméstica, os investidores não tomaram partido no mercado de juros futuros e os contratos fecharam sem grandes alterações. Atenção agora ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que a produção industrial avançou 1,1% entre dezembro de 2009 e janeiro deste ano, na série com ajuste sazonal. Na comparação anual, foi verificada expansão de 16%.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que o nível de utilização da capacidade da indústria ficou praticamente estável em janeiro, em 81,4%, após situar-se em 81,5% em dezembro de 2009, em termos dessazonalizados. Em janeiro de 2009, o uso da capacidade da indústria correspondeu a 77,8%.

Por fim, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou que a produção da indústria automobilística somou 253,2 mil veículos em fevereiro, uma alta de 23,9% em relação ao mesmo mês de 2009 (204,4 mil unidades). Na comparação com janeiro deste calendário, quando foram registradas 246,4 mil unidades, a produção de veículos teve crescimento de 2,8%.

O sócio da Oren Investimentos, Jacob Weintraub, assinalou que a curva de juros segue num processo de ajuste, tendo em vista a maior cautela do mercado em relação à aceleração da inflação.

" A produção foi forte, mas dentro do esperado. O que está afetando os DIs nas últimas duas semanas é a dinâmica que não é de hoje, mas resultado de uma sequência de dados divulgados, especialmente em relação à inflação, que tem vindo mais forte que o previsto. A curva está num processo de abertura, com a percepção do mercado de que a alta dos juros pode começar em março " , comentou.

A Oren Investimentos avalia, no entanto, que não há urgência para o Banco Central (BC) elevar a Selic e espera que o aperto só comece em abril. " Achamos que o BC tem tempo para avaliar os efeitos da retirada do pacote anticrise, dos compulsórios e se a alta da inflação no início do ano foi pontual ou não " , afirmou Weintraub, que estima um aumento próximo de 250 pontos da Selic ao longo do ciclo.

Ao fim da jornada na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento na virada deste ano, o mais líquido do dia, operava estável, a 10,46%, enquanto o contrato de janeiro de 2012 perdia 0,02 ponto percentual, a 11,61%. Também mantiveram os mesmos patamares de ontem os DIs dos primeiros meses de 2013 e de 2014, a 11,98% e 12,17%, respectivamente.

Entre os vencimentos curtos, de 2010, o contrato de julho, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, ficava estável, a 9,32%, e o de abril caía 0,01 ponto, a 8,77%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 671.380 contratos, equivalentes a R$ 60,407 bilhões (US$ 33,849 bilhões), um volume 58% superior ao de quarta-feira. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 212.445 contratos, equivalentes a R$ 19,555 bilhões.

(Eduardo Campos | Valor)

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