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05/03/2010 - 19h53

Construção civil defende revisão na metodologia do PIB

BRASÍLIA - O setor da construção civil deve crescer cerca de 9% em 2010, ante 8,1% em 2008 e depois de uma variação negativa esperada para 2009. O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), Paulo Safady Simão, defende uma revisão na metodologia do PIB, " para captação da expansão correta do setor " .

Simão disse que no próximo dia 11, ao divulgar o Produto Interno Bruto (PIB) de 2009, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deve anunciar crescimento negativo entre 3% e 4% para a construção civil.

" Nas nossas contas, seria positivo em, no mínimo, 2% " , comentou ele. " Não é que o cálculo esteja errado, mas há aí uma distorção " , continuou ele, informando que essa semana conversou com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sugerindo uma revisão de metodologia do IBGE para captar a contribuição do setor à economia do país.

Simão disse que, na metodologia atual, o IBGE foca apenas a produção de materiais, e não o valor que se agrega à construção de imóveis, como a mão de obra, por exemplo.
No caso dos números de 2009, a crise internacional obrigou muitas empresas a esgotar os insumos que tinham em estoque. E a falta de aumento nessa variável levaria o IBGE a divulgar um número negativo, segundo a Cbic. Simão disse que o ministro Mantega autorizou negociações do setor com o IBGE.

O presidente da Cbic falou ainda sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2 que o governo Lula deve lançar até o fim do mês. Um dos destaques do PAC 2 é a expansão do programa habitacional de baixa renda, " Minha Casa, Minha vida " .

Para Simão, o governo está usando esse programa como bandeira eleitoral: " Seria ingênuo não pensar que é. Mas qualquer governo usaria " , afirmou ele.

O presidente da Cbic disse também que o governo deve usar o PAC 2 para corrigir erros do PAC original, e avançar nas obras de infraestrutura de projetos importantes, como a Copa do Mundo de Futebol 2014 e as Olimpíadas.
E chamou a atenção para a necessidade de estruturação conjunta do setor público com o setor privado, das estatais responsáveis por obras de saneamento básico. " O país está matando criancinhas todo dia por falta de saneamento básico " , criticou Simão.

(Azelma Rodrigues | Valor)

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