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05/03/2010 - 16h18

IPCA traz alívio para DIs e fortalece aposta de aperto apenas em abril

SÃO PAULO - Depois de o resultado da produção industrial de janeiro ter ficado em linha com as expectativas dos agentes, hoje foi a vez de o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) dar novo alívio para o mercado, levando à redução expressiva e em bloco dos prêmios de risco na curva de juros futuros.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação medida pelo IPCA atingiu 0,78% em fevereiro, pouco acima da taxa apurada um mês antes, de 0,75%. O resultado foi maior do que o registrado em fevereiro de 2009, de 0,55%. " O grupo Educação, com alta de 4,53% e contribuição de 0,32 ponto percentual, foi responsável por 41% do índice de fevereiro " , destacou o IBGE. Teve impacto nesta classe de despesa o aumento das mensalidades escolares.

Apesar da aceleração da inflação no mês passado, o mercado contava com uma taxa um pouco mais elevada. O dado revelado fortaleceu as apostas de início do aperto monetário pelo Banco Central (BC) apenas em abril.

"O nível do IPCA veio absolutamente alto, porém a inflação já começa a dar sinais de volta. Existe um fator sazonal, de fato, e ele está perdendo força", comentou o estrategista-chefe do banco WestLB, Roberto Padovani.

A instituição está mais otimista que a maior parte do mercado, com uma estimativa de 4,5% para a inflação medida pelo IPCA neste ano, ante alta de 4,91% indicada pelo Boletim Focus.

"O aperto só deve começar em abril. O Banco Central deve esperar por mais informações. A atividade está se acomodando um pouco e a inflação já está voltando", ressaltou Padovani. O WestLB prevê elevação de 150 pontos básicos da taxa Selic ao longo do ciclo, para 10,25% ao ano.

Ao fim da jornada na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2011, referência de mercado, declinava 0,06 ponto percentual, a 10,41%, enquanto o contrato de janeiro de 2012 recuava 0,04 ponto, a 11,58%. Também apresentavam baixas os DIs com vencimentos nos primeiros meses de 2013 e de 2014, com queda de 0,04 ponto e de 0,05 ponto, respectivamente a 11,93% e a 12,11%.

Na parte curta da curva de juros, o contrato com vencimento em julho de 2010, que divide as apostas entre alta de juros no primeiro ou segundo semestre, despencava 0,08 ponto, para 9,26%, enquanto o DI de abril cedia 0,015 ponto, para 8,755%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 1,426 milhão de contratos, equivalentes a R$ 131,983 bilhões (US$ 73,783 bilhões), mais que o dobro do registrado ontem (671.380 contratos). O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 511.980 contratos, equivalentes a R$ 47,156 bilhões (US$ 26,362 bilhões).

Para a próxima semana, o destaque da agenda de indicadores será a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do quarto trimestre de 2009 e do fechado do ano, na quinta-feira. No mesmo dia, o IBGE irá publicar o resultado das vendas varejistas de janeiro.

Além disso, o período ainda reserva o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) referente a fevereiro, na segunda-feira, além da primeira prévia do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) no mês, na quarta-feira. (Beatriz Cutait | Valor)

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