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08/03/2010 - 08h53

Bovespa retomou os 68 mil pontos e dólar cedeu a R$ 1,787

SÃO PAULO - Depois de dois dias de indefinição os mercados brasileiros ganharam rumo na sexta-feira. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subiu de forma consistente e retomou os 68 mil pontos. O dólar fechou em baixa contra o real. Os contratos de juros futuros devolveram prêmios de risco.

O bom humor do dia foi garantido pelos dados da econômica americana. De acordo com o Departamento de Trabalho dos EUA, foram perdidos 36 mil postos durante o mês passado, abaixo do piso das expectativas, que tinham grande dispersão entre 40 mil a 120 mil cortes. Já a taxa de desemprego permaneceu estável em 9,7%, contrariando previsão de alta para 9,8%.

No fim da tarde, os números sobre concessão de crédito nos EUA surpreenderam de forma positiva e deram mais fôlego aos compradores. Pela primeira vez em um ano, a concessão de crédito mostrou crescimento. Segundo o Federal Reserve (Fed), banco central americano, o crédito ao consumidor subiu 2,4% em janeiro, na taxa anualizada, para US$ 2,46 trilhões.

Depois de três tentativas, esses dados ajudaram a Bovespa a retomar os 68 mil pontos perdidos no final de janeiro. Com destaque para as ações da Vale e OGX, o Ibovespa fechou com alta de 1,52%, aos 68.846 pontos. O giro financeiro foi o maior em um mês, somando R$ 8,03 bilhões. Tal patamar de fechamento é o maior desde 19 de janeiro, quando o índice apontava 69.908 pontos.

Com quatro dias de alta em cinco pregões, o índice acumulou valorização de 3,52% na primeira semana de março. E passa a registrar leve alta de 0,38% em 2010.

Para quem gosta de gráficos, o índice superou uma importante barreira técnica e agora poderia ir em busca dos 70 mil a 71 mil pontos.

Segundo o diretor de renda variável da FinaBank Corretora, Edson Marcellino, mesmo depois dos ganhos recentes, ainda não dá para falar que a Bovespa tem uma firme tendência de valorização. " A maioria dos agentes ainda está cauteloso " , disse o especialista.

Na visão do diretor, a bolsa só ganha uma direção clara depois que os agentes tiverem dados mais objetivos sobre o comportamento da inflação e da atividade econômica neste começo de 2010.

Em Wall Street, as compras também foram regra e o Dow Jones fechou com alta de 1,17%. O S & P 500 avançou 1,40%. O Nasdaq subiu 1,48%. Na semana, o Dow Jones ganhou 2,3%, enquanto o S & P 500 e o Nasdaq se valorizavam 3,1% e 3,9%, respectivamente.

No mercado de câmbio, a menor aversão a risco, garantida pelos números da economia americana, resultou em queda de 0,27% para o dólar comercial, que fechou negociado a R$ 1,787 na venda.

Na semana, que contou com três dias de desvalorização e dois de apreciação, a divisa americana acumulou perda de 1,11%. No ano, o dólar ainda ganha 2,52%.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar caiu 0,37%, para R$ 1,7843. O volume recuou de US$ 53,75 milhões para US$ 45,75 milhões. Já os negócios no interbancário subiram de US$ 1,6 bilhão para US$ 1,7 bilhão.

No mercado de juros futuros, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de algum alívio para o mercado, levando à redução dos prêmios de risco nos vencimentos.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação medida pelo IPCA atingiu 0,78% em fevereiro, pouco acima da taxa apurada um mês antes, de 0,75%, mas abaixo da previsões que rondavam 0,80%.

" O nível do IPCA veio absolutamente alto, porém a inflação já começa a dar sinais de volta. Existe um fator sazonal, de fato, e ele está perdendo força " , comentou o estrategista-chefe do banco WestLB, Roberto Padovani.

A instituição está mais otimista que a maior parte do mercado, com uma estimativa de 4,5% para a inflação medida pelo IPCA neste ano, ante elevação de 4,91% indicada pelo Boletim Focus.

" O aperto só deve começar em abril. O Banco Central deve esperar por mais informações. A atividade está se acomodando um pouco e a inflação já está voltando " , ressaltou Padovani. O WestLB prevê elevação de 150 pontos básicos da taxa Selic ao longo do ciclo, para 10,25% ao ano.

Ao fim da jornada na BM & F, o Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2011, referência de mercado, declinava 0,06 ponto percentual, a 10,41%, enquanto o contrato de janeiro de 2012 recuava 0,04 ponto, a 11,58%. Também apresentavam baixas os DIs com vencimentos nos primeiros meses de 2013 e de 2014, com queda de 0,04 ponto e de 0,05 ponto, respectivamente, a 11,93% e a 12,11%.

Na parte curta da curva de juros, o contrato com vencimento em julho de 2010, que divide as apostas entre alta de juros no primeiro ou segundo semestre, declinava 0,08 ponto, para 9,26%, enquanto o DI de abril cedia 0,015 ponto, a 8,755%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 1,426 milhão de contratos, equivalentes a R$ 131,983 bilhões (US$ 73,783 bilhões), mais que o dobro do registrado na quinta-feira. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 511.980 contratos, equivalentes a R$ 47,156 bilhões (US$ 26,362 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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