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08/03/2010 - 18h33

Bovespa testa os 69 mil pontos, mas fecha em baixa

SÃO PAULO - Depois de acumular alta de 3,52% na semana passada, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve um pregão morno nesta segunda-feira. Ilustrando bem a falta de estímulos a compras ou vendas, o Ibovespa oscilou apenas 752 pontos entre máxima e mínima, até fechar com leve baixa de 0,39%, aos 68.575 pontos. O giro somou R$ 6,16 bilhões, 23% menor que o registrado na sexta-feira. Na máxima, o índice testou os 69.070 pontos.

Para o sócio-diretor da Adinvest Consultoria, Fábio Cardoso, como a Bovespa se aproxima das máximas do ano, o investidor fica mais cauteloso. No entanto, essa queda da volatilidade é um sinal muito bom. "É muito positivo ver o índice acumulando perto dos topos", explica.

Olhando o campo externo, Cardoso ressalta que situação envolvendo a Grécia se acalmou, mas ainda gera algumas dúvidas. E isso tem influência direta sobre a disposição do capital externo em investir em ativos de risco.

Por aqui, os investidores estrangeiros voltaram a comprar no começo de março depois de tirar mais de R$ 3,3 bilhões em janeiro e fevereiro. No acumulado de março até o dia 4, o saldo estrangeiro estava positivo em R$ 719 milhões.
No campo doméstico, o diretor avalia que o único ponto de preocupação é a inflação. No entanto, esse fenômeno decorre do aumento da atividade. "Não é um ponto que preocupa, pois o Banco Central tem lidado bem com a inflação."
Dentro do Ibovespa, destaque para o setor de siderurgia, que voltou a ganhar valor, limitando as perdas do dia. O ativo ON da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) avançou 2,60%, para R$ 63,90, como terceiro maior volume do dia. Usiminas PNA subiu 0,81%, a R$ 54,68, e Gerdau PN teve alta de 0,73%, a R$ 27,35.

Entre os carros-chefe, Vale PNA caiu 0,29%, a R$ 47,21, e Petrobras PN devolveu 0,30%, a R$ 35,70. Ainda entre os maiores volumes, OGX Petróleo ON teve acréscimo de 1,01%, a R$ 16,88, confirmando alta de 5,8% registrada na sexta-feira.

O destaque de alta ficou com as units da América Latina Logística, que ganharam 4,38%, para fechar a R$ 16,89. Ainda na ponta de compra, Lojas Renner ON subiu 2,42%, a R$ 42,20.

Puxando as perdas, CCR Rodovias ON caiu 3,59%, a R$ 37,55. No setor de construção, MRV ON cedeu 2,77%, a R$ 12,60, e Cyrela ON recuou 2,57%, a R$ 21,96. Perda superior a 2% também para as ações ON da BM & FBovespa, CCR Rodovias, MMX Miner e Fibria.
Entre as empresas que apresentaram balanço, JBS ON avançou 1,89%, cotada a R$ 9,67. O frigorífico registrou lucro líquido de R$ 127,9 milhões no quarto trimestre de 2009, revertendo o prejuízo de R$ 53,2 milhões de igual trimestre de 2008. No acumulado do ano, o resultado líquido foi positivo em R$ 129,4, milhões, bem acima do lucro de R$ 25,9 milhões de 2008.

Fora do índice, começaram as ser negociadas as ações da BR Properties. O papel ON operou em baixa durante todo o pregão até fechar com queda de 2,30%, a R$ 12,70. O giro somou R$ 45 milhões. A companhia, que atua no setor imobiliário comercial, fez uma oferta primária e secundária de 71,876 milhões de ações a R$ 13,00 cada.

Já o papel ON da Hypermarcas subiu 3,48%, a R$ 22,30. A empresa, que realiza nova oferta de ações, anunciou mais aquisições. Após comprar a fabricante de fraldas Sapeka, a empresa de bens de consumo adquiriu a companhia de produtos de higiene York, por R$ 100 milhões, e a Facilit, dona da Sanifill, por R$ 79 milhões.

A Triunfo Participações colocou à venda um de seus principais ativos, a usina hidrelétrica de Salto, em Goiás, para ganhar fôlego financeiro para novos investimentos na própria área de energia. O papel ON terminou com baixa de 1,31%, a R$ 6,75.

A ação PN do Banco Sofisa perdeu 1,54%, a R$ 5,10. O banco encerrou 2009 com lucro líquido de R$ 10,6 milhões, queda de 86,4% na comparação com 2008 (R$ 77,9 milhões). Apenas no quarto trimestre, a instituição lucrou R$ 8,7 milhões, valor 32,7% inferior ao apurado nos três últimos meses de 2008.

As ações ON da Brasil Ecodiesel seguiam perdendo valor. Depois de recuar 9,3% na sexta-feira, o ativo registrou baixa de 3,41%, a R$ 1,13, e giro de R$ 94 milhões.
Quatro usinas da companhia perderam o Selo Combustível Social. Sem tal certificação, essas unidades não podem vender biodiesel por meio dos leilões com selo organizados pela ANP. As operações com o selo representam 80% do volume total leiloado pela agência.
Caso a companhia não consiga reverter tal decisão, poderá deixar de entregar 37 mil metros cúbicos de biodiesel que já contratou em dois leilões com selo promovidos pela ANP.

Os recibos de ações da Laep, que controla a Parmalat, levaram um tombo de 22,5%, para fechar a R$ 1,24. A venda é atribuída às declarações do presidente da JBS, Joesley Batista, sobre a falta de interesse da companhia em entrar no mercado de leite longa vida. Durante algumas semanas se especulava que a JBS poderia comprar ativos da Parmalat.

Também da chamada quinta linha, Telebrás PN cedeu 13,06%, para R$ 1,93. Já as ações ON da Inepar Telecom, empresa sem atividade operacional, caíram 3,29%, a R$ 0,88, mas chegaram a ganhar mais de 27%. Semana passada, o papel chamou atenção ao registrar fortes oscilações.

Respondendo a questionamento da Bovespa, a companhia apontou, na semana passada, que " não há nenhum fato relevante de conhecimento da administração que justifique estas oscilações e/ou que possa impactar nas cotações nos últimos dias " .

Já hoje, a empresa postou comunicado informando que a Inepar S.A., seu acionista controlador, vendeu 6.274.100 ações ordinárias, correspondentes a 7,09% do capital entre os dias 15 de janeiro e 5 de março de 2010. Com isso, a fatia da Inepar na companhia caiu de 85,96%, para 78,87%.

(Eduardo Campos | Valor)

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