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08/03/2010 - 09h30

Concessionária de rodovias Triunfo venderá usina para reduzir dívida

SÃO PAULO - A Triunfo Participações e Investimentos (TPI) colocou à venda um de seus principais ativos, a usina hidrelétrica de Salto, em Goiás, para ganhar fôlego financeiro para novos investimentos na própria área de energia. A usina, com potência para gerar 116 MW, custou R$ 460 milhões, e a receita prevista é de R$ 80 milhões ao ano - há um contrato de 16 anos fechado com a Votorantim para vender a geração. No momento, o ativo está em negociação, mas a empresa não tem prazo para concluir o negócio.
A TPI tem três projetos de Pequenas Usinas Hidrelétricas (PCHs) em Goiás aguardando autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), totalizando 90 MW, e outros quatro projetos de usinas de maior porte distribuídas entre Goiás e Tocantins, em parceria com a Alupar e a companhia de energia goiana - a Celg -, totalizando 250 MW.
Segundo a diretora de relações com investidores do grupo, Ana Cristina Carvalho, a capacidade financeira obtida com a venda da usina de Salto será direcionada para os projetos que andarem mais rápido e para aqueles que demonstrarem melhor rentabilidade. Ainda em fase de aprovação, os projetos no ramo elétrico devem demorar alguns anos para sair do papel. Segundo a executiva, a TPI também ficará de olho em projetos do ramo rodoviário, como Rodoanel, e as novas concessões federais, previstos para este ano.

Uma vez concretizada a venda da usina de Salto, o endividamento da Triunfo Participações cairia de R$ 834 milhões para R$ 522 milhões - a dívida associada à usina é de R$ 320 milhões. Com isso, a relação entre dívida líquida e Lajida do grupo - referência usada pelo mercado financeiro para concessão de crédito - cairia de 3,51 vezes para 1,91 vez. No ramo de infraestrutura, convenciona-se que o teto para o endividamento é uma relação dívida/Lajida de 3 vezes.
Apesar de todas as considerações sobre a estrutura de maturação longa dos investimentos do grupo, a relação dívida/Lajida foi fatal para a TPI na disputa pela concessão da rodovia Ayrton Senna/Carvalho Pinto no ano passado. Vencedora no critério preço, a empresa foi desclassificada porque não conseguiu levantar no mercado financeiro as garantias exigidas no edital.

A TPI fechou 2009 com uma receita 29% maior do que a de 2008, totalizando R$ 427 milhões. As principais responsáveis pelo resultado foram as concessões rodoviárias - além do aumento no movimento das estradas, houve reajuste de 11% nas tarifas - e o crescimento do movimento no seu terminal portuário, que quase dobrou. Este ano, pela primeira vez desde a abertura de capital em 2007, a TPI distribuirá dividendos. Serão R$ 8,4 milhões.

(Fernando Teixeira | Valor)

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