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12/03/2010 - 13h04

Bolsa convidará mais empresas para o índice de sustentabilidade

SÃO PAULO - A BM & FBovespa anunciou hoje mudanças na metodologia para a definição da próxima carteira teórica do chamado Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), que reúne papéis de empresas comprometidas com a responsabilidade social e sustentabilidade empresarial.

Entre as principais alterações, o convite para se candidatar ao índice passará a ser feito para as companhias detentoras das 200 ações mais líquidas da bolsa, não mais para as 150 mais negociadas, como anteriormente.

Fora isso, o questionário que será enviado para as companhias contará com um grupo de questões envolvendo iniciativas relacionadas a mudanças climáticas, o que os elaboradores da carteira chamam de "sétima dimensão", por se unir a outras seis já existentes.

Para facilitar o preenchimento do questionário, as questões terão referências ao relatório de sustentabilidade da Global Reporting Initiative (GRI), que já tem a participação de uma série de empresas brasileiras.

Ou seja, junto com as questões do ISE haverá, no caso de sobreposição entre os relatórios, uma indicação da pergunta correspondente no documento da GRI.

Já a quarta mudança prevê que o conselho do ISE - composto por diversas entidades, incluindo a BM & FBovespa - poderá dar, em casos extraordinários, uma explicação ao mercado sobre a retirada de alguma companhia da carteira.

Isso ajudará a evitar especulações, como ocorreu na saída da Petrobras do índice em 2008. Sem uma posição do conselho, a exclusão da estatal foi relacionada pelos agentes aos níveis de partículas de enxofre considerados elevados na produção de diesel.

As empresas responderão o questionário entre agosto e setembro, para posterior análise nos dois meses seguintes pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGVces). A divulgação da nova carteira está prevista para 25 de novembro.

Durante a apresentação da nova metodologia, Mário Monzoni, coordenador do FGVCes, disse que as respostas das companhias seguirão em sigilo, dado que a abertura do conteúdo do questionário - algo que ajudaria na tomada de decisão de investimentos no mercado financeiro - ainda encontra resistência nas diretorias.

"Ainda não atingimos um nível civilizatório com essa transparência total", afirmou, acrescentando, no entanto, que dar incentivos para que as empresas voluntariamente coloquem suas respostas ao mercado é uma possibilidade a se considerar.

Outro ponto que causou controvérsia durante o evento foram os reflexos da inclusão das empresas no ISE sobre a liquidez de suas ações.

Segundo Arthur Farme, diretor de Relações com Investidores da seguradora SulAmérica, o ingresso ao índice tem impacto no volume de negociação dos papéis, dado que existem R$ 1,5 bilhão em fundos de investimento voltados para a área de sustentabilidade. Por outro lado, André Luís Romi, gerente de relações institucionais da Indústrias Romi, disse que não chegou a verificar se a inclusão da companhia produziu alguma alteração na liquidez.

Mas, embora os ganhos de fluxo não sejam estatisticamente comprovados, o executivo ressaltou vantagens de estar dentro da carteira. "A inclusão traz certos valores que são importantes no curto prazo. O investidor está buscando sempre saber onde está colocando seu dinheiro", assinalou. Hoje, alguns fundos replicam a carteira do ISE, mas o índice ainda não é usado por aqueles que utilizam carteiras teóricas de ações como lastro, os chamados Exchange Trade Funds (ETFs).

(Eduardo Laguna | Valor)

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