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12/03/2010 - 15h15

Bovespa segue em baixa; dólar cai para menor preço desde 15 de janeiro

SÃO PAULO - Em meio à repercussão de indicadores divulgados nos Estados Unidos, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registra a segunda baixa seguida nos negócios desta sexta-feira, dando continuidade a um movimento, ainda que pouco expressivo, de realização de lucros.

Embora tenha atingido 70.486 pontos na máxima do dia, o Ibovespa inverteu o rumo na cola do mercado americano, que também passou a operar em queda após a divulgação de dados piores que o projetado, relativos à confiança do consumidor dos Estados Unidos.

Por volta das 15h, o Ibovespa recuava 0,25%, aos 69.709 pontos, com giro financeiro de R$ 3,256 bilhões. Em Wall Street, as bolsas estão voláteis, mas a força vendedora também predomina no mercado. Há instantes, o índice Nasdaq recuava 0,05% e o S & P 500 perdia 0,06%, enquanto o Dow Jones operava estável.

Números preliminares divulgados pela Universidade de Michigan indicaram que a confiança do consumidor americano caiu no começo deste mês.

O indicador que mede esse sentimento ficou em 72,5 em março, ante os 73,6 de fevereiro. Alguns economistas previam melhora na leitura deste mês, para uma marca de 74.

Antes destes dados, o mercado estava animado com os números positivos revelados pelo Departamento do Comércio dos Estados Unidos, que mostrou que as vendas no varejo registraram acréscimo de 0,3% de janeiro para fevereiro, na série com ajuste sazonal. No confronto com fevereiro de 2009, as vendas varejistas tiveram elevação de 3,9%.

Excluindo veículos, o Departamento do Comércio dos EUA apontou acréscimo de 0,8% no comércio varejista no mês passado. Alguns agentes previam queda de 0,2% a estabilidade nas vendas varejistas em fevereiro e alta de 0,1% sem veículos.

Para o analista de investimentos da Corretora Geral, Ivanor Torres, o indicador de confiança pesou bastante sobre o desempenho do mercado brasileiro, mas a resistência do Ibovespa aos 70 mil pontos pode estar no próprio país.

"O que pode justificar essa resistência é a expectativa de alta do mercado em relação à decisão que será tomada pelo Banco Central na próxima reunião do Copom. Além disso, como o Ibovespa segue com ganhos de mais de 5% no mês e rentabilidade de 80%, em 12 meses, o mercado está realizando lucros " , diz Torres.

Na avaliação do analista, entretanto, a trajetória segue positiva para o índice, com a possibilidade de atingir 85 mil pontos até o fim do ano. Entra as maiores altas do Ibovespa, estão os papéis PN da Lojas Americanas, com ganhos de 2,20%, a R$ 13,92, as ações ON da Fibria, com ganhos de 1,96%, a R$ 36,90, e os ON da Cosan, com valorização de 0,88%, a R$ 22,75.

A Lojas Americanas revelou que obteve lucro líquido de R$ 152 milhões no ano passado, quase 70% acima do montante verificado em 2008, de R$ 89,5 milhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) subiu 22,9% e ficou em R$ 1,1 bilhão.

A empresa apontou ainda expansão de 19,5% na receita líquida de 2009, em relação aos 12 meses anteriores, indo de R$ 6,975 bilhões para R$ 8,335 bilhões.

No sentido oposto, lideram as perdas do índice os papéis ON da Tim Participações, com queda de 2,95%, a R$ 7,56, as ações PN da Ultrapar, com desvalorização de 2,59%, a R$ 84,18, e os papéis ON da Gafisa, com recuo de 2,0%, a R$ 13,67.

A construtora iniciou ontem uma oferta de ações que pode alcançar R$ 1,4 bilhão. A companhia, que está na bolsa desde 2006, volta a mercado pela terceira vez em busca de recursos para financiar seu crescimento.

A oferta compreende a venda inicial de 74 milhões de ações. Considerando o preço de fechamento do papel na quarta-feira, de R$ 14,25, a operação movimentará R$ 1,05 bilhão. A cifra pode chegar a R$ 1,42 bilhão com os lotes suplementar e adicional.

Entre as blue chips, enquanto o papel PN da Petrobras opera no campo positivo, com alta de 0,26%, a R$ 37,15, a ação PNA da Vale recua 0,27%, a R$ 46,55.

No mercado de câmbio, o movimento de venda prevalece sobre os negócios. Há pouco, o dólar comercial recuava 0,28%, pelo quarto dia, a R$ 1,765 na venda, menor cotação desde o dia 15 de janeiro, quando a moeda valia R$ 1,772.

Vale lembrar que esta sexta-feira será o último dia de horário diferenciado para a Bolsa. A partir de segunda, o mercado volta a operar em seu horário normal, das 10h às 17h.

(Beatriz Cutait | Valor)

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