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12/03/2010 - 19h50

Lula considera que eleições atrapalham discussão sobre royalties

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje, em Curitiba, que quando apresentou a proposta do novo marco regulatório para a exploração de petróleo na camada pré-sal, ponderou com os partidos políticos que não seria importante discutir este ano a distribuição dos royalties por se tratar de um ano eleitoral.

"As pessoas acham que cada um vai fazer o jogo que interessa eleitoralmente à sua região e não ao Brasil", argumentou. Segundo o presidente, foi feito um acordo entre as lideranças de todos os partidos políticos para que se chegasse a uma determinada composição na distribuição dos royalties e este acordo não foi cumprido.

"Vamos aguardar para ver qual o tempo que o Senado levará para votar. Vamos ver se será o tempo que um projeto de urgência permite. Sei que tem gente entrando com recurso no Supremo Tribunal Federal alegando inconstitucionalidade."
Lula não poupou os governadores que criticam a forma de distribuição diferenciada prevista na emenda do deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS).
"O momento não é de briga, mas de conversa, de diálogo. O petróleo é de boa qualidade e tem muita quantidade, não é preciso brigar, vamos deixar que prevaleça o bom senso".

Em rápida entrevista, depois que visitou a fábrica de computadores Positivo Informática, o presidente voltou a criticar a indústria automobilística que, segundo ele, no auge da crise financeira, deu "uma parada muito brusca em seus investimentos por orientação de suas matrizes".

O Brasil, lembrou o presidente, em março de 2009 já começou a bater recordes de vendas de carros novos e este ano repetiu este recorde e, para ele, não havia motivos para a produção ficar parada.
Lula disse que vários setores, mesmo com investimentos garantidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), resolveram paralisar devido às incertezas. "Somente quem não parou foi o governo", afirmou.
"Na hora que a crise surgiu, tomamos a decisão de aumentar os investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), da Petrobras e garantir mais crédito e financiamentos no Brasil. O ministro Guido (Mantega, da Fazenda) tem toda razão. Terminamos o ano de forma extraordinária e com perspectiva de crescimento excepcional para 2010."
Durante a visita à fábrica, o presidente se disse satisfeito com a média da idade dos funcionários, em torno de 25 anos, sendo que 70% são mulheres. A empresa, criada em 1989, emprega cerca de 5,8 mil funcionários em três fábricas, localizadas em Curitiba, Manaus e Ilhéus (BA).
"Essa empresa, que é líder na produção brasileira de computadores (com 6 milhões de unidades por ano) começou a crescer graças ao programa Computador para Todos e isso me deixa orgulhoso. Brasileiro fazendo o Brasil crescer".

(Agência Brasil)

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