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17/03/2010 - 15h52

Correção técnica embala ganho das bolsas e Ibovespa sobe 0,32%

SÃO PAULO - Influenciada pela cena externa, a bolsa brasileira apurou hoje a primeira valorização em três pregões, em um dia marcado pela alta das commodities. A situação na usina nuclear de Fukushima segue acompanhada de perto pelo mercado, mas, nesta quinta-feira, as notícias não tiveram impacto na disposição dos investidores em assumir riscos.

No Brasil, o Ibovespa se reaproximou dos 67 mil pontos no começo dos negócios, mas fechou a jornada com valorização de 0,32%, aos 66.215 pontos. O giro financeiro atingiu R$ 5,792 bilhões. Na semana, o índice ainda cai 0,7%.

No mercado americano, o índice Dow Jones teve valorização de 1,39%, enquanto o Nasdaq subiu 0,73% e o S&P 500 ganhou 1,34%.

Na visão do diretor de operações da Hera Investimentos, Nicholas Barbarisi, o movimento das bolsas foi apenas uma correção técnica, após as quedas recentes.

"Os investidores aproveitaram para comprar ativos mais baratos, mas a trajetória não sinaliza um movimento de alta ou uma retomada do mercado. A Bovespa está claramente num movimento lateral, em grande parte em função do cenário geopolítico incerto no Oriente Médio, do caos no Japão e também de uma economia interna que não tem levado a um cenário favorável para renda variável", observou.

Além de um movimento técnico, a alta das bolsas ainda refletiu o maior otimismo dos agentes com relação à reunião de emergência dos ministros de Finanças e diretores de bancos centrais do G-7. Convocado pela ministra francesa da Economia, Christine Lagarde, o encontro tem como objetivo avaliar o que pode ser feito para ajudar o Japão, enquanto o país lida com os efeitos de terremotos e tsunami e uma crise nuclear.

Entre os indicadores econômicos americanos, os investidores ainda reagiram bem aos dados de atividade manufatureira da região da Filadélfia. O indicador que mede o desempenho desse setor aumentou de 35,9, em fevereiro, para 43,4, em março de acordo com a unidade regional do Federal Reserve (Fed). A leitura foi a mais alta desde janeiro de 1984.

No cenário corporativo brasileiro, o foco do dia esteve concentrado na Vale. As ações PNA da mineradora subiram 2,72%, para R$ 45,92, e giraram R$ 960 milhões, enquanto os papéis ON ganharam 2,83%, a R$ 52,19, com volume de R$ 264 milhões. Os ativos lideraram os ganhos do Ibovespa.

A empresa afirmou que os embarques de minério de ferro para o Japão não foram prejudicados pelo terremoto e o tsunami, ressaltou que o impacto da catástrofe sobre as siderúrgicas japonesas foi limitado e que a maioria delas já voltou a operar.
"A Vale continua a desempenhar suas atividades no Japão e está adotando todas as medidas possíveis para dar sua contribuição para minimizar os impactos do terremoto e tsunami que atingiram o país", disse a companhia.

Ainda entre as chamadas "blue chips", Petrobras PN seguiu a alta dos preços do petróleo e fechou o dia com valorização de 1,07%, a R$ 28,08, com giro de R$ 463 milhões.

Além das ações da Vale, estiveram entre os principais ganhos do Ibovespa os papéis Embraer ON (2,4%, a R$ 13,62), Bradespar PN (1,96%, a R$ 40,52) e Cemig PN (1,54%, a R$ 29).

Na direção contrária, limitou a alta do índice o desempenho negativo das ações Usiminas ON (-3,79%, a R$ 27,9), Cyrela ON (-2,7%, a R$ 15,08), B2W ON (-2,52%, a R$ 25,44) e Gafisa ON (-2,32%, a R$ 10,09).

No setor aéreo, TAM PN ainda perdeu 1,22%, para R$ 33,09, enquanto Gol PN recuou 1,23%, a R$ 21,62. Fora do Ibovespa, destaque para as ações ON da HRT Participações, que subiram 2,26%, a R$ 2.170,00, com volume negociado de R$ 117 milhões.

A empresa pré-operacional do setor de petróleo, que estreou em outubro do ano passado na bolsa, apresentou prejuízo líquido de R$ 142,4 milhões em 2010, valor muito superior às perdas de R$ 12,6 milhões do ano anterior.
(Beatriz Cutait | Valor)
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