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17/03/2010 - 11h15

BNP Paribas repete resultado de 2008

SÃO PAULO - Passado o pior da crise e com os problemas de sua carteira de crédito já equacionados, o BNP Paribas encerrou o ano com lucro líquido de R$ 250 milhões aqui no Brasil. O resultado, praticamente em linha com o ganho do ano anterior (R$ 260 milhões) evidencia a melhora do cenário no segundo semestre, depois de um começo de ano com forte retração da demanda corporativa por empréstimos, afirma Louis Bazire, presidente das operações para a América Latina.

" O fim de 2008 foi complicado pela exposição que tínhamos em derivativos. O primeiro semestre do ano passado foi de prudência, evitando contenciosos e com reestruturação de dívidas. Mas encerramos o ano sem ter de fazer nenhuma provisão específica " , afirma Bazire. " Hoje minha carteira não me preocupa " , completa.

Além disso, o cenário atual é bastante mais favorável, o que deixa Bazire otimista com o desempenho para 2010. O banco foi responsável por reabrir o mercado de empréstimos sindicalizados, liderando uma operação de US$ 1 bilhão junto com outros bancos para uma plataforma de petróleo da Odebrecht, em setembro do ano passado. O quarto trimestre, diz, foi mais animado em termos de demanda por recursos e o começo deste ano está " bombando " .

O resultado operacional do banco foi de R$ 460 milhões, crescimento de 6% no ano, com a maior parcela do resultado vindo da tesouraria. A asset teve crescimento de 11% nos recursos administrados, chegando a R$ 21 bilhões. Os ativos totais fecharam o ano em R$ 14 bilhões e os depósitos a prazo atingiram R$ 3,7 bilhões (essa captação é destinada exclusivamente a fornecer um funding estável à Cetelem, subsidiária de crédito ao consumo ligada diretamente ao BNP Paribas francês).

No ano passado, o BNP também investiu na área de fusões e aquisições, com uma ampliação da equipe de duas para dez pessoas e participações em grandes negócios ao longo do ano passado, como a compra da participação chinesa na MMX, de Eike Batista, e da GVT pela Vivendi.

Para completar sua atuação no setor de atacado brasileiro, Bazire considera que falta apenas um braço de corretagem. Para isso, o banco está em conversas com possíveis parceiros para adquirir uma participação em alguma corretora brasileira. Uma operação de custódia também está em estudo.

Já a matriz francesa não chegou a sofrer diretamente com a crise internacional, visto que não tinha exposição em subprime, mas indiretamente foi atingida em outros mercado, como o segurador. No fim de 2008, o banco ainda sofreu certa pressão para fazer um aumento de capital, mas o preço da ação estava muito baixo, no entender da administração, e diluiria o capital dos acionistas.

No começo de 2009, o governo francês obrigou os bancos a tomar um empréstimo de ajuda, " mesmo com o BNP não precisando " , enfatiza Bazire. Esse empréstimo foi pago meses depois, em julho, com um aumento de capital de 10 bilhões de euros, já com o preço da ação em nível considerado satisfatório.

O BNP também fechou no ano passado a compra do belga Fortis, a pedido do governo daquele país, o que alçou o BNP ao posto de maior banco em depósitos da zona do euro, com 540 bilhões de euros.

(Fernando Travaglini | Valor)

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