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17/03/2010 - 11h09

Após instabilidade inicial, DIs apontam para cima na BM&F

SÃO PAULO - Em um dia mais vazio de indicadores econômicos brasileiros, o mercado de juros futuros mostrou instabilidade no começo dos negócios, mas agora a maior parte dos contratos aponta para cima na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). Os Treasuries americanos também registram alta.

Há pouco, o Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em abril de 2011 subia 0,01 ponto percentual, para 11,66%, enquanto o contrato com vencimento em julho mantinha o patamar de 11,99% e o de janeiro de 2012 preservava o nível de 12,31%.

Entre os DIs de prazos mais dilatados, o contrato de abertura de 2013 apresentava alta de 0,03 ponto, a 12,77%, o de janeiro de 2014 também ganhava 0,03 ponto, a 12,80%, e o do início de 2015 subia 0,04 ponto, a 12,79%.

Além disso, os contratos de abertura de 2016 e 2017 avançavam 0,02 ponto e 0,01 ponto, respectivamente, a 12,66% e 12,57%.

Na cena externa, ainda que os riscos de uma catástrofe nuclear no Japão continuem no centro das atenções, os mercados têm um "respiro". A aversão ao risco diminui e provoca a recuperação das bolsas, uma nova alta das commodities e a queda do dólar.

No Brasil, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostrou que a inflação na cidade de São Paulo arrefeceu mais na segunda prévia do mês. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,36% no período, após a elevação de 0,44% na abertura de março.

O gestor da Oren Investimentos Adriano Fontes chama atenção para a entrevista da presidente Dilma Rousseff ao Valor, que deu grande ênfase à sua visão sobre a inflação.

"Eu não vou permitir que a inflação volte no Brasil. Não permitirei que a inflação, sob qualquer circunstância, volte. Também não acredito nas regras que falam, em março, que o Brasil não crescerá este ano. Tenho certeza que o Brasil vai crescer entre 4,5% e 5% este ano", defendeu a presidente.

"A partir do momento em que a Dilma diz que vai combater inflação sem abalar o crescimento fica difícil para o mercado acreditar, já que já existe um questionamento sobre a atuação do governo. Achamos que ele deveria ser mais incisivo em relação aos juros e vemos um Banco Central adotando mais medidas macroprudenciais", diz Fontes.

Segundo ele, a entrevista dada por Dilma pressiona os juros, embora a oscilação ainda seja pequena.

"Quem considera a postura do BC ?dovish' [neologismo inglês derivado de 'dove', pombo, que indica um defensor de juros mais baixos e com posição mais tolerante com a inflação] vai ter ainda mais convicção após a entrevista. O combate da inflação terá um preço ao BC e ele será a desaceleração", afirma o gestor.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro realiza leilão tradicional de venda de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Letras Financeiras do Tesouro (LFT).

(Beatriz Cutait | Valor)
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