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17/03/2010 - 20h17

Entidades patronais expressam apoio à manutenção dos juros

SÃO PAULO - Entidades representativas dos setores da indústria, comércio e finanças manifestaram apoio à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de manter os juros básicos da economia (Selic) em 8,75% ao ano.

Em nota enviada logo após o anúncio da autoridade monetária, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) afirmou que "prevaleceu o bom senso" e que a manutenção da taxa representa "uma demonstração de respeito à produção, ao crescimento, ao emprego e, acima de tudo, ao Brasil".
Embora entenda que há condições para novos cortes da Selic, a Fiesp disse que recebeu bem a decisão do Copom.

Por sua vez, Armando Monteiro Neto, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), disse que a decisão foi "acertada". "Isso indica que o Banco Central percebe que as pressões inflacionárias existentes são temporárias e sazonais", assinalou o dirigente em nota, acrescentando que um aumento nos juros neste momento seria inadequado, uma vez que não teria efeito sobre os preços e prejudicaria a retomada da atividade industrial.

"Apesar dos resultados positivos atualmente observados, a indústria ainda está em recuperação e não alcançou os níveis pré-crise", lembrou Monteiro Neto.

O presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz, assinala que concorda com a decisão do Banco Central e que não vê motivos para um aumento da taxa Selic em "um futuro próximo". "A alta é um obstáculo para o mercado doméstico, que impediu uma queda maior do PIB em 2009", disse Diniz, em nota da entidade do comércio fluminense.

Já o Sindicato das Financeiras do Estado do Rio de Janeiro (Secif-RJ) classificou a manutenção dos juros como "apropriada". A entidade aponta que a taxa Selic deveria permanecer em 8,75% ao ano até, pelo menos, o fim do primeiro semestre, já que não existem sinais de um repique considerável na inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O presidente da entidade que agrega as financeiras, José Arthur Assunção, lembra ainda que não houve grandes movimentos de alta dos juros pelo mundo. "Tanto nos Estados Unidos quanto na Europa as taxas de juros continuam em níveis baixíssimos", aponta em nota.

A exceção foi a Força Sindical, que considerou que a manutenção dos juros mostra uma "perversidade para com os trabalhadores". "O termômetro dos tecnocratas do Banco Central tem se mostrado extremamente frio com o setor produtivo, que gera emprego e renda, mas apresenta uma temperatura muito agradável para os especuladores", afirma a agremiação em nota.

(Eduardo Laguna | Valor)

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