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18/03/2010 - 09h55

Bovespa deve operar com volatilidade na jornada desta quinta-feira

SÃO PAULO - Depois de recuar 0,31% ontem, para 69.723 pontos, com um " ajuste técnico " e com o mercado à espera da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a taxa Selic em 8,75% ao ano, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) poderá ter uma jornada de volatilidade.

O Ibovespa futuro ainda não definiu um rumo e operava próximo da estabilidade. Depois de fechar aos 70.220 pontos, o índice variava hoje entre 70.045 pontos e 70.415 pontos. Há pouco, o índice subia 0,02%, somando 70.240 pontos. Ontem, o mercado acionário movimentou R$ 5,413 bilhões e voltou a testar os 70 mil pontos.

Apesar de o Banco Central (BC) deixar os juros básicos estáveis, sem viés, a decisão não foi unânime: 3 dos 8 diretores votantes quiseram um aumento de 0,5 ponto percentual na taxa.

Em sua justificativa, o Comitê ressaltou que " irá monitorar atentamente a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária " . A próxima reunião do Copom ocorre nos dias 27 e 28 de abril.

Em Wall Street, as bolsas americanas registraram valorização na quarta-feira. Nesta manhã, os futuros ainda operavam de lado.

No cenário externo, mais notícias a respeito da situação fiscal da Grécia poderão preocupar os investidores. O premiê grego George Papandreou repetiu nesta quinta-feira que Atenas pode recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI) se os europeus não concordaram em ajudar o país no encontro que acontece na próxima semana.

Ao comparecer no Parlamento Europeu, o primeiro-ministro insistiu que não quer dinheiro de seus sócios europeus, mas que os representantes da União Europeia aprovem um pacote de possíveis empréstimos na reunião que acontece no fim da semana que vem.

Ontem, o porta-voz do governo grego, George Petalotis, informou que, se a União Europeia não garantir um " suporte claro " ao país, será necessário recorrer ao FMI. Segundo ele, a reunião da UE que acontecerá nos dias 25 e 26 será crucial. " Se as condições de empréstimo não corresponderem às nossas expectativas, o financiamento do FMI é uma possibilidade a qual certamente podemos recorrer " , disse. Por enquanto, as bolsas europeias seguiam operando em alta, mas, na Ásia, a notícia da Grécia afetou os mercados, que também repercutiram os temores de aperto monetário na China. O Shanghai Composite, de Xangai, caiu 0,14%, ao passo que o Hang Seng, de Hong Kong, se retraiu em 0,25%. Em Tóquio, o índice Nikkei 225 teve queda de 0,95%, e o Kospi, de Seul, declinou 0,46%.

No cenário corporativo, a queda das blue chips contribuiu para a baixa da Bovespa na quarta-feira. Enquanto os papéis PN da Petrobras, que movimentaram R$ 383,3 milhões, declinaram 0,16%, a R$ 37,15, as ações PNA da Vale cederam 0,37%, a R$ 47,65, com giro de R$ 521,6 milhões.

Nesta jornada, além de repercutir a reunião do Copom, os agentes financeiros devem estar atentos a novos indicadores de inflação, no cenário externo.

O índice de preços ao consumidor americano registrou variação nula em fevereiro, depois de acréscimo de 0,2% na abertura do ano. Sem alimentos e energia, itens considerados voláteis, o índice subiu 0,1%, invertendo a direção tomada em janeiro, de queda de 0,1%.

Ontem, o índice de preços ao produtor americano (PPI, na sigla em inglês) havia mostrado deflação de 0,6% em fevereiro, revertendo avanço de 1,4% no começo do ano.

Ainda na agenda americana, merecem atenção os pedidos semanais de seguro-desemprego, indicadores antecedentes de fevereiro, bem como o índice de atividade do Federal Reserve (Fed) da Filadélfia.

No mercado de câmbio, o dólar operava em alta. Há instantes, a moeda americana tinha valorização de 0,62%, a R$ 1,776. No cenário externo, o euro e a libra perdiam força para a moeda americana.

(Beatriz Cutait | Valor)

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