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18/03/2010 - 17h59

Depois de dia de grande oscilação, Bovespa fecha praticamente estável

SÃO PAULO - Influenciado pelas bolsas estrangeiras, o mercado acionário brasileiro operou com grande volatilidade ao longo da manhã e registrou queda na segunda etapa dos negócios. Ao fim da jornada, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) desacelerou as perdas e fechou praticamente com estabilidade.

O Ibovespa recuou 0,04%, aos 69.697 pontos, e movimentou R$ 5,657 bilhões. Assim como no último pregão, o índice voltou a testar os 70 mil pontos, ao atingir máxima de 70.127 pontos, mas não sustentou o nível.

"Está difícil de romper a barreira psicológica dos 70 mil pontos. Acho que falta algum fato novo de fora para impulsionar o índice para cima, como um rali das commodities ou um reajuste do minério de ferro acima do esperado", avalia o analista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger.

Pesaram sobre o movimento dos mercados novas preocupações em relação à recuperação da Grécia, que tiraram uma parte do otimismo gerado pelo resultado positivo de indicadores americanos.

Em Wall Street, o índice Dow Jones fechou em alta de 0,42%, o S & P 500 caiu 0,03% e o Nasdaq ganhou 0,09%.

Na Europa, as principais bolsas fecharam em queda. O índice O FTSE 100, de Londes, recuou 0,04%, o DAX alemão perdeu 0,20%, e o CAC 40, de Paris, fechou com baixa de 0,50%.

O premiê grego George Papandreou voltou a afirmar que Atenas poderá apelar ao Fundo Monetário Internacional (FMI) se os europeus não concordarem em ajudar o país no encontro que acontece na próxima semana. Ele insistiu que não quer dinheiro, mas sim que a União Europeia aprove um pacote de possíveis empréstimos.

A agência de estatísticas grega ainda divulgou que o desemprego no país aumentou para 10,3% no quarto trimestre do ano passado, ante taxa de 7,9% registrada em igual período de 2008. O resultado foi o mais alto desde o último trimestre de 2004.

Na agenda americana, entre os principais indicadores divulgados nesta manhã, o Departamento do Trabalho revelou que o índice de preços ao consumidor americano registrou variação nula em fevereiro, depois de acréscimo de 0,2% em janeiro. Sem alimentos e energia, itens considerados voláteis, o índice subiu 0,1%, invertendo a direção tomada em janeiro, de queda de 0,1%.

Os novos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos ficaram em 457 mil na semana terminada em 13 de março, um declínio de 5 mil requerimentos em relação à marca anterior, de 462 mil.

No cenário corporativo nacional, os papéis PNA da Vale tiveram o maior volume negociado, com giro de R$ 558,14 milhões. A empresa conseguiu demanda de 8 bilhões de euros na primeira grande captação realizada em euros por uma companhia não-financeira no Brasil, de acordo com Alexei Remizov, responsável pela área de mercado de capitais do HSBC, um dos bancos líderes da transação, conforme matéria do Valor.

A Vale acabou lançando 750 milhões de euros, com rendimento de 4,441% ao ano para um papel de vencimento em 2018. O cupom - juro nominal - será de 4,375% por ano e será pago anualmente. O preço do título foi de 99,564% do valor de face. O prêmio sobre o mid-swap, uma taxa de juros básica em euros, foi de 140 pontos base.

Já os papéis PN da Petrobras, que divulgará amanhã, depois do fechamento do mercado, o balanço de 2009, cederam 0,34%, a R$ 37,02, com volume de R$ 446,5 milhões.

Entre as maiores altas do Ibovespa, estiveram os papéis ON das Redecard, com ganhos de 6,32%, a R$ 29,77. Fora do índice, destaque positivo para outros papéis do setor de cartões de crédito. As ações da Cielo também dispararam 7,58%, a R$ 15,89, enquanto as units do Santander avançaram 1,21%, a R$ 21,66.

O mercado reagiu à notícia de que o Santander passará a fazer o credenciamento de estabelecimentos comerciais para as transações de cartões de crédito ou débito. A instituição espanhola passa a disputar no Brasil um mercado dominado hoje pela Cielo (antiga Visanet) e Redecard.

Também figuraram entre as principais valorizações do Ibovespa os papéis PN da Klabin, com ganhos de 4,7%, a R$ 5,56, e os PN da NET, com apreciação de 2,69%, a R$ 23,99.

No sentido contrário, as ações PN da TIM Participações caíram 2,9%, a R$ 7,35. Além disso, destaque de baixa para empresas do grupo EBX, do empresário Eike Batista.

As ações ON da LLX caíram 2,61%, a R$ 8,57, os papéis ON da MMX cederam 2,53%, a R$ 13,43. Além disso, as ações ON da OGX Petróleo recuaram 1,77%, a R$ 16,6, com giro de R$ 311,2 milhões.

A OffShore Services X (OSX), futuro estaleiro a ser instalado em Santa Catarina pelo grupo EBX, teve de reduzir suas pretensões para levar adiante sua oferta de ações. A OSX e os coordenadores Credit Suisse, Itaú BBA, Bradesco BBI, BTG Pactual e Morgan Stanley, anunciaram que a oferta inicial foi reduzida para 3.063.000 ações ordinárias, ante a ideia inicial de vender 5.511.739 ações.

(Beatriz Cutait | Valor)

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