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18/03/2010 - 11h24

DIs têm volume recorde após decisão do Copom

SÃO PAULO - Sem surpresa, os contratos de juros futuros passam por forte ajuste nesta quinta-feira. As vendas estão concentradas nos vencimentos curtos, que precificam a decisão de ontem do Comitê de Política Monetária (Copom), que optou pela estabilidade da Selic em 8,75% ao ano. "O mercado está se reposicionando após a decisão", diz o estrategista de renda fixa da Coinvalores, Paulo Nepomuceno.

Para dar ideia da magnitude do ajuste, com duas horas de pregão já foram negociados mais de 4,6 milhões de contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), novo recorde histórico, pois o montante já supera os 4,5 milhões de negócios registrados ontem.

Segundo o especialista, a decisão pegou metade do mercado com o "pé trocado", já que havia uma grande divisão entre manutenção e alta. Tal divisão também foi verificada dentro do próprio Banco Central (BC), pois a votação foi 5 votos pela manutenção contra 3 pelo ajuste de 0,5 ponto percentual.

No entanto, diz Nepomuceno, o que chamou a atenção mesmo foi a forte reversão de posições registrada ontem, antes da decisão. Grandes agentes subitamente se desfizeram de posições compradas (aposta de alta) e alguns chegaram a ficar vendidos. Até as pessoas físicas, que são os menores agentes nesse mercado, tiveram fortes participações.

Ainda de acordo com Nepomunceno, dada à divisão do colegiado, a ideia que fica é que da próxima reunião não escapa, ou seja, o Copom deve subir a taxa em 0,5 ponto em abril. " E deve dar mais duas altas de 0,75 ponto " , diz.

A curva futura apresenta uma divisão hoje, com os curtos caindo e os longos acumulando prêmio. "Quanto mais o BC demora a subir os juros, maior a magnitude do ajuste posterior. Por isso essa divisão, que é natural", explica.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o DI para abril, que capta com maior intensidade a decisão do Copom, já negociou mais de 2,8 milhões de contratos. Por volta das 11h05, o vencimento cedia 0,18 ponto percentual, projetando 8,62%. Julho de 2010 recuava 0,17 ponto, a 9,10% e Janeiro 2011 recuava 0,18 ponto, a 10,27%.

Já entre os vencimentos mais longos, janeiro de 2012 marcava estabilidade a 11,61. E janeiro 2013 subia 0,06 ponto, a 12,02%. Janeiro 2014 também ganhava 0,06 ponto, a 12,12%.

Na gestão da dívida pública, está agendado leilão de Letras do Tesouro Nacional (LTN), Letras Financeiras do Tesouro (LFT) e Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F). Também é previsto resgate antecipado de NTN-F.

(Eduardo Campos | Valor)

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