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18/03/2010 - 17h35

Entrada do Santander em cartões tem como foco fidelização de empresas

SÃO PAULO - A parceria do Santander com a empresa de tecnologia Getnet, que coloca o banco no mercado de credenciamento de cartões para estabelecimentos comerciais, faz parte de uma estratégia de fidelização de clientes pessoa jurídica.

A explicação foi dada hoje pelo vice-presidente executivo de varejo do Santander, José Paiva Pereira, que enfatizou que o movimento do banco não é apenas na direção da adquirência. "Não queremos fazer um negócio simplesmente adquirente. A parceria deve gerar uma relação cliente-banco e não somente comércio-adquirente. O banco quer ampliar o seu relacionamento", afirmou o executivo, em evento de divulgação da parceria em São Paulo.

Deste modo, além de permitir ao cliente a aceitação dos cartões de uma determinada bandeira, a instituição entra neste mercado oferecendo algumas vantagens para a pessoa jurídica - com foco em pequenas e médias pequenas - o que é importante inclusive, para ter base para concorrer do segmento, dominado pelas grandes Redecard e Cielo, a antiga VisaNet.

O produto Santander Conta Integrada gerará a possibilidade ao cliente de ter uma só conta corrente para receber de modo unificado os créditos das bandeiras MasterCard, da qual o banco já tem a licença, e da Visa, que passará a credenciar outras empresas além da Cielo (com quem tem contrato de exclusividade) a partir de julho. Esta conta corrente poderá ser isenta do pacote de tarifas do banco em até 100%, se a empresa registrar o volume de transações mínimo de R$ 3 mil ao mês com o uso da máquina. O banco cita ainda o benefício de o cliente poder adquirir um equipamento que pode ser conectado na banda larga, o que diminui o custo da conta telefônica do estabelecimento. "Assim, nós passamos a nos relacionar diretamente com o comércio fazendo a adquirência e os serviços financeiros", explicou Pereira, enfatizando a importância deste relacionamento. "Com isso nós colocamos um gerente e um banco por trás da máquina (de cartão)", completa.

Quando questionado sobre outro importante diferencial para o comércio brasileiro, que é taxa paga pelos estabelecimentos a cada transação com cartão, no entanto, o executivo afirmou apenas que o banco "será bastante competitivo em termos de taxa", indicando que, neste quesito, não haverá grandes mudanças. Com a estratégia, o banco prevê o aumento em 35% sua base de clientes desse segmento - que hoje totaliza 500 mil clientes - em três anos, além de estimar a conquista de 10% do volume de transações do mercado brasileiro de cartões. Hoje a Redecard e a Cielo, juntas, controlam cerca de 90% deste mercado. Caso tenha sucesso, o Santander, deste modo, passará a concorrer diretamente com as empresa de cartões. "Mas nosso foco é outro, nossos concorrentes serão os demais bancos, não a Redecard e a Cielo", insistiu o executivo. O produto já está ativo e na semana que vem tem início sua campanha de marketing.

(Vanessa Dezem | Valor)

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