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18/03/2010 - 17h06

Nova tábua atuarial pode reduzir custo do seguro de vida

RIO - A utilização de uma tábua atuarial genuinamente brasileira pode levar a uma redução entre 10% e 15% nos valores das contribuições dos planos de seguro de vida. A nova tábua, desenvolvida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), vai substituir a tábua baseada nas informações da população dos Estados Unidos, que tradicionalmente serve de base para os cálculos atuariais do setor de seguros no Brasil.

A Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi) destacou que, pela nova tábua a expectativa de vida de um homem brasileiro consumidor de seguros de vida pula, aos 40 anos, dos 33,35 anos a mais estimados pela tábua americana, para mais 40 anos. Já as mulheres brasileiras, também aos 40 anos, viverão mais 46,2 anos, em vez dos 38,86 anos estimados pelos cálculos americanos.

O presidente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Armando Vergílio, explicou que apenas os novos contratos refletirão a mudança. Os clientes que já têm seguro de vida contratado não terão alteração no valor da contribuição, que oscilará entre 10% e 15% tanto para homens, quanto para mulheres, segundo a FenaPrevi " O preço antigo não era justo porque era baseado em outra realidade " , disse Vergílio, explicando que a UFRJ atualizará a tábua brasileira ano a ano e caberá à Susep atualizar os dados a cada cinco anos.

A tábua, denominada Experiência do Mercado Segurador Brasileiro (BR-EMS), foi construída a partir da consolidação dos dados referentes aos anos de 2004, 2005 e 2006, fornecidos por 23 seguradoras, que representam 95% do mercado brasileiro de vida e previdência complementar. No trabalho foi analisado o histórico de 32 milhões de brasileiros - 19 milhões de homens e 13 milhões de mulheres - todos já clientes do mercado segurador.

O presidente da FenaPrevi, Marco Antonio Rossi, ressaltou que, exatamente por considerar os clientes do mercado segurador brasileiro, a tábua se distancia dos dados oficiais de expectativa de vida do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo ele, a diferença para a tábua americana é ainda menor se forem considerados os dados que serão utilizados no mercado de previdência privada. Neste caso, os homens com 60 anos - idade comum para o cliente começar a receber o benefício - tem a expectativa, segundo a tábua americana, de viver mais 25,09 anos, o que passará para 25,50 anos no novo cálculo. Para as mulheres de 60 anos o aumento será de um ano, de 28 para 29 anos além dos 60.

Rossi lembra que, no caso da tábua de previdência, quanto mais o segurado viver, mais ele terá que pagar para poder receber o benefício por todo o período. Como o mercado de previdência no Brasil apresenta, na média, um cliente de alto poder aquisitivo, a clientela brasileira tende a viver mais que a americana, onde o mercado é mais pulverizado. Apesar disso, a expectativa, pela pouca diferença, é que não haja um aumento expressivo nos novos contratos de previdência privada.

O presidente da comissão atuarial da FenaPrevi. Jair Lacerda, acrescentou que cerca de 70 países têm tábuas de vida oficiais, mas apenas um número por volta de 10 nações possuem uma tábua própria para o mercado segurador.

" Basicamente, quem usa tábuas próprias para o mercado segurador são os países do G7 " , disse Lacerda.

(Rafael Rosas | Valor)

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