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19/03/2010 - 16h36

DIs longos sobem por cena externa e juros na Índia

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros voltam à "normalidade" depois de dois dias de volumes recordes e ajustes acentuados em função da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

Os juros curtos, que caíram com força após a manutenção da taxa básica em 8,75%, ficaram próximo da estabilidade. Enquanto os vencimentos de prazo mais dilatado, acumularam prêmio de risco.

Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias de Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para abril de 2010, apontava estabilidade a 8,62%. Julho de 2010 ganhou 0,01 ponto, a 9,12%. Ainda entre os curtos, janeiro de 2011 subiu 0,03 ponto, a 10,31%.

Entre os mais longos, o vértice janeiro de 2012 marcava 11,55%, baixa de 0,06 ponto. Destoando, janeiro de 2013 caía 0,03 ponto, a 11,93%.

Até as 16h15, foram negociados 1.236.780 contratos, equivalentes a R$ 117,41 bilhões (US$ 65,78 bilhões), cinco vezes menos que o recorde de 6,09 milhões de contratos registrados ontem. O vencimento para abril de 2010 foi novamente o mais negociado, com 619.070 contratos, equivalentes a R$ 61,72 bilhões (US$ 34,58 bilhões).

Para o estrategista-chefe da CM Capital Markets, Luciano Rostagno, essa alta nos juros longos está mais relacionada à aversão a risco no mercado mundial, dada às renovadas preocupações com a dívida grega, do que com a percepção de que o Banco Central "ficou atrás da curva" (demorou para subir a taxa) depois do encontro de quarta.

Ainda pelo front externo, a Índia anunciou alta nas suas taxas de juros visando conter ameaça de inflação. A taxa de redesconto foi de 4,75% para 5% e a de redesconto reverso passou de 3,25% para 3,5%. Segundo Rostagno esse é um sinal de que os emergentes é que vão liderar o processo global de aperto monetário. Também não poderia ser diferente, já que são essas as economias com crescimento mais robusto.

Voltando o foco para o mercado local, o estrategista aponta que parte do mercado começa ampliar a percepção de que o ciclo de aperto monetário que o Banco Central terá de fazer vai ser maior do que o previamente estimado. E isso responde por parte dos prêmios na ponta longa da curva.

Rostagno não faz parte desse grupo. O economista acredita em alta de 0,5 ponto em abril, mas explica que alguns agentes já trabalham com alta de 0,75 ponto, pois acreditam que o BC ficou " atrás da curva " e, por isso, teria que começar o ciclo com um aperto maior.

A questão envolvendo a saída ou não de Henrique Meirelles também continua em pauta. E é isso pesa nas análises envolvendo a estrutura da taxa de juros. Segundo o especialista, no caso de sua saída, se pressupõe que o novo Copom seria menos conservador, o que resulta em menor chance de aperto monetário de 0,75 ponto.

Olhando agora para a próxima semana, a agenda de indicadores traz, além da ata do Copom, a prévia da inflação oficial de março (IPCA-15), uma nova leitura de IGP-M e a taxa de desemprego.
(Eduardo Campos | Valor)

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