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24/03/2010 - 11h57

Após volatilidade inicial, DIs longos passam a subir na BM&F

SÃO PAULO - Com um resultado dentro das expectativas do mercado, a taxa de desemprego brasileiro do mês de fevereiro tem efeito marginal ou nulo sobre o movimento dos contratos de juros futuros nesta quinta-feira.

A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas analisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) avançou para 6,4% em fevereiro, após ficar em 6,1% na abertura de 2011. No segundo mês de 2010, a taxa havia sido de 7,4%.

Depois de uma instabilidade inicial, o mercado de juros futuro passou a mostrar divisão. Enquanto os Depósitos Interfinanceiros (DIs) com vencimentos mais curtos começaram a recuar e agora estão praticamente estáveis, os mais longos passaram a acumular prêmios de risco na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F).

Há pouco, o contrato de abril de 2011 mantinha taxa de 11,64%, enquanto o contrato com vencimento em julho preservava o patamar de 11,98%. Além disso, o DI do início de 2012 também operava estável, com taxa de 12,27%.

Entre os contratos de prazos mais dilatados, o de abertura de 2013 apresentava queda de 0,01 ponto percentual, a 12,78%, o de janeiro de 2014 subia 0,04 ponto, a 12,86%, e o do início de 2015 ganhava 0,05 ponto, a 12,86%.

Além disso, os contratos de abertura de 2016 e 2017 avançavam 0,08 ponto e 0,07 ponto, respectivamente, a 12,76% e 12,66%.

Para Paulo Nepomuceno, estrategista de renda fixa da Coinvalores, o mercado segue na expectativa do anúncio de medidas macroprudenciais pelo Banco Central (BC).

"A taxa de desemprego veio em linha com o esperado. A percepção é de que as medidas adotadas tendem a surtir efeito no médio prazo, mas o mercado está um pouco desconfiado em relação a mais para frente, o que explica a curva de juros mais empinada", afirmou Nepomuceno, ressaltando que o leilão do Tesouro também está contribuindo para o desempenho dos DIs mais longos.

O Tesouro realiza hoje leilão tradicional de venda de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional - série F (NTN-F), além de resgate antecipado dos últimos títulos citados.

O estrategista da Coinvalores acredita que, após a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação, na próxima quarta-feira (30), o BC deverá agir. Ainda que o cenário externo siga incerto, diante da tragédia japonesa e a instabilidade política em países do norte de África e no Oriente Médio, Nepomuceno avalia que o BC não tem como esperar uma resolução plena.

"Se o Banco Central não tomar nenhuma medida macroprudencial por causa do setor externo, não vai tomar nunca", pontuou. "O BC deve tributar o IOF [Imposto sobre Operações Financeiras] de captação externa dos bancos, pois tenderia a matar dois coelhos com uma cajadada só. A medida reduziria a posição vendida em câmbio e levaria à diminuição de crédito no mercado." (Beatriz Cutait | Valor)
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