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24/03/2010 - 18h05

Cena corporativa pesa e Bovespa recua em pregão de giro fraco

SÃO PAULO - O início positivo do Ibovespa e a nova tentativa de romper os 68 mil pontos não conseguiu ser concretizada, nesta quinta-feira. Diante das perdas dos papéis da Vale e da Petrobras, e também de ações ligadas à construção e consumo, a bolsa brasileira não conseguiu acompanhar o rumo externo e teve a primeira queda em três pregões. Ainda assim, na semana, o mercado brasileira defende ganho de 1%.

Nesta jornada, o Ibovespa atingiu máxima de 68.008 pontos, mas fechou as operações com desvalorização de 0,39%, aos 67.532 pontos. O giro financeiro foi mais fraco que o habitual e atingiu R$ 5,087 bilhões.

Já no mercado americano, as bolsas registraram nova alta. O índice Dow Jones avançou 0,70%, enquanto o Nasdaq subiu 1,41% e o S&P 500 ganhou 0,93%.

A julgar pelas notícias de ontem à noite, a sinalização era de um dia de maior cautela nos mercados. A renúncia do premiê português José Sócrates, após o Paralamento do país rejeitar medidas de austeridade fiscal, só deixou mais clara a crise enfrentada pelo país. Nesta quinta-feira, a Fitch Ratings inclusive rebaixou a nota de Portugal de "A+" para "A-".

O operador de renda variável da Hencorp Commcor Rafael Dornaus avalia, no entanto, que a expectativa de que a União Europeia já anuncie um socorro financeiro a Portugal, a exemplo do que foi feito com a Grécia e a Irlanda, pode ter acalmado o mercado.

Além disso, nos Estados Unidos, notícias corporativas e dados referentes ao mercado de trabalho contribuíram para o desempenho das bolsas.

No Brasil, as informações de empresas influenciaram de forma negativa as bolsas. Entre as maiores quedas do Ibovespa, o mercado reagiu mal aos balanços trimestrais da JBS e da MRV. Os papéis ON da primeira empresa caíram 3,61%, a R$ 5,86, e os da construtora cederam 6,52%, a R$ 13,18.

Dornaus aponta que as margens da MRV surpreenderam negativamente e o desempenho da empresa puxou a baixa de outros papéis do setor. PDG Realty ON caiu 2,33%, a R$ 9,2, enquanto Gafisa ON teve desvalorização de 2,56%, a R$ 10,27.

Ainda entre as maiores baixas, as ações Usiminas PNA perderam 1,85%, a R$ 20,09, e Lojas Americanas PN caiu 5,12%, a R$ 13,33.

A empresa fará um aumento de capital privado de R$ 1 bilhão em sua controlada B2W. A medida - anunciada como forma de acelerar o crescimento da varejista do comércio eletrônico - poderá resultar em um aumento considerável da fatia de controle da Americanas e até mesmo na incorporação da empresa, ou poderá ser interpretada pelo mercado como a demonstração de confiança da controladora na B2W, mensagem aguardada há alguns anos.

Também no campo negativo, Vale PNA cedeu 0,99%, a R$ 46,90, com giro de R$ 492 milhões. O mercado segue atento às movimentações em torno de uma possível saída de Roger Agnelli da presidência da empresa.

Além disso, após mais uma reunião entre representantes do governo e da Vale, não houve acordo a respeito do impasse sobre o pagamento de uma dívida de R$ 3,6 bilhões referentes a royalties pela exploração de minério.

Os papéis PN da Petrobras ainda perderam 0,66%, a R$ 28,43, e movimentaram R$ 350 milhões.

Já as principais altas do Ibovespa pertenceram às ações MMX ON (4,51%, a R$ 9,72), empresa que reverteu o prejuízo de R$ 185,1 milhões apurado em 2009 e mostroum lucro líquido de R$ 46,6 milhões no ano passado.

Destaque positivo ainda para ações de telecomunicações, como Telemar Norte Leste PNA (2,65%, a R$ 52,25), Tim Participações ON (2,46%, a R$ 8,3) e Telemar PN (2,07%, a R$ 27,58).

Vale lembrar que o BTG Pactual elevou ontem a recomendação para as ações ON da Tim de "neutra" para "compra".

(Beatriz Cutait | Valor)
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