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25/03/2010 - 18h31

Brasil e Argentina se unem em ofensiva no mercado chinês

BRASÍLIA - Em fase de suspensão de atritos, Brasil e Argentina combinaram hoje uma estratégia comercial conjunta para ganhar mercado na China. A ofensiva tem o objetivo não só de ganhar novos compradores, como também de tentar minimizar a invasão de produtos chineses nos dois mercados.

A lista de problemas no comércio bilateral, acirrados ano passado com barreiras adotadas em função da crise mundial, especialmente do lado argentino, ficou para ser discutida amanhã, segundo dia do encontro bilateral de técnicos dos dois países.

O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, tentou minimizar os atritos passados. Ao contrário do que ocorreu em 2009, " não há reclamações setoriais, apenas pontuais " sobre restrições comerciais do país vizinho. A questão de licenciamento automático está sendo avaliado na reunião, " caso a caso " , disse ele. Ao lado de Barral, o subsecretário do Ministério da Produção Argentina, Eduardo Bianchi, atestava o discurso do representante do governo brasileiro, afirmando que as conversas estão em terreno " positivo " .

Barral destacou que um dos focos " é retomar " as relações comerciais com a Argentina em busca dos excelentes resultados alcançados antes da crise, em 2008. Naquele ano, o saldo comercial foi positivo ao Brasil em US$ 4,347 bilhões. Mas caiu a US$ 1,5 bilhão em 2009.

De qualquer modo, no primeiro bimestre deste ano há um superávit de US$ 203,9 milhões para o lado brasileiro. As exportações somaram US$ 2,136 bilhões e as importações, US$ 1,9 bilhão, com alta acima de 50% nos dois tipos de operação sobre igual período do ano passado.

Barral explicou que a criação de " uma agenda mais ofensiva " , com promoções, feiras e missões comerciais de brasileiros e argentinos à China, deve ocorrer em breve. Na pauta de vendas, alimentos elaborados, maquinário e calçados.

O secretário explicou que não só os empresários brasileiros, mas também os argentinos estão perdendo espaço para os chineses nas vendas ao Brasil.

Ele citou como exemplo que no setor moveleiro, a participação argentina caiu de 7% para 1% no mercado brasileiro, nos últimos dois anos. Mas os chineses tiveram suas vendas ampliadas de 25% para 40%.

Já as vendas brasileiras de papel aos argentinos caíram de 34% para 30%, enquanto os chineses cresceram de 4% para 10%.

(Azelma Rodrigues | Valor)

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