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25/03/2010 - 16h26

Contratos de juros futuros precificam alta da Selic em abril

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros se ajustaram à sinalização da ata do Comitê de Política Monetária (Copom). E como o documento praticamente contrata uma alta na taxa Selic em abril, os vencimentos curtos colocam isso no preço. Já os longos perdem prêmio, tanto pela redução de incerteza quanto à atuação do Banco Central, quanto pelo melhor ambiente externo.

Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para abril de 2010, apontava estabilidade a 8,62%. Julho de 2010 ganhou 0,02 ponto, a 9,16%. E janeiro de 2011, o mais líquido do dia, também subiu 0,02 ponto, a 10,35%.

Entre os mais longos, janeiro de 2012 marcava 11,69%, baixa de 0,02 ponto. Janeiro de 2013 recuava 0,05 ponto, para 12,06%, e janeiro 2014 devolvia 0,08 ponto, projetando 12,10%.

Até as 16h15, foram negociados 1.324.560 contratos, equivalentes a R$ 121,09 bilhões (US$ 67,63 bilhões), 38% acima do registrado ontem. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 528.125 contratos, equivalentes a R$ 48,93 bilhões (US$ 27,30 bilhões).

Analisando agora a ata, para um gestor de renda variável que prefere não se identificar, o documento trouxe uma novidade na forma de atuação do Banco Central (BC). A autoridade monetária sempre foi conservadora no seu modo de atuação e uma situação delineada como na ata já teria resultado em alta de juros. " O tom da ata foi de subida de juros, só que ela não aconteceu. " Outro ponto é a confirmação de uma elevação na taxa de juros em abril. O que fica elucidado na redação do parágrafo 26: " À luz dessas considerações, houve consenso entre os membros do Comitê quanto à necessidade de se implementar um ajuste na taxa básica de juros, de forma a conter o descompasso entre o ritmo de expansão da demanda doméstica e a capacidade produtiva da economia, bem como para reforçar a ancoragem das expectativas de inflação. " Para o especialista, o que justifica a não subida de juros agora em março é que para a maioria dos diretores ainda existem dúvidas sobre a composição da inflação neste começo de ano e se o momento da economia é apenas de recuperação ou é uma retomada em ritmo acentuado. "Parece que temos uma parte do Copom que tem dúvida sobre esse processo envolvendo inflação e crescimento. Se ele é persistente ou não." A ata diz o seguinte sobre essa divisão: "a maioria dos membros do Copom, tendo em vista as informações disponíveis neste momento, aliado ao fato de que já está em curso o processo de retirada dos estímulos introduzidos durante a crise, entendeu ser mais prudente aguardar a evolução do cenário macroeconômico até a próxima reunião do Comitê, para então dar início ao ajuste da taxa básica." Tendo como base o quadro atual, o gestor aponta a recuperação é mais forte e que a inflação vai contaminar os preços. O que torna a aposta de alta de juros em 0,75 ponto percentual mais viável.

No entanto, pondera o especialista, os novos indicadores que vão sair até a reunião de abril devem embaralhar ainda mais a percepção sobre o comportamento futuro dos preços e da atividade. Por isso, ainda dá para estimar com clareza o tamanho do aperto.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro vendeu 2,6 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) das 2,75 milhões que ofertou, levantando R$ 2,08 bilhões. Também foram colocadas 1,5 milhão de Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F), a R$ 1,38 bilhão. Esse foi o último leilão programado para o mês de março.

(Eduardo Campos | Valor)

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