UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

25/03/2010 - 18h24

Mercado americano e papéis da Petrobras pressionam Ibovespa para baixo

SÃO PAULO - O pregão desta quinta-feira tinha de tudo para encerrar no campo positivo. Ao longo de boa parte da sessão, os mercados operaram com ganhos, com os investidores animados com notícias do mercado americano e vendo com bons olhos a reunião de cúpula dos países europeus, em Bruxelas.

No meio da tarde, entretanto, as bolsas reduziram os ganhos e, no Brasil, ainda pressionada pela baixa dos papéis da Petrobras, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) não resistiu e passou para o campo negativo.

Ao fim da jornada, o Ibovespa, que oscilou entre 68.376 pontos e 69.571 pontos, apresentou queda de 0,68%, aos 68.441 pontos, e girou R$ 5,477 bilhões. Na semana, o índice acumula perda de 0,56%, enquanto, no mês, tem alta de 2,91%. No ano, o índice já se desvalorizou em 0,21%.

Na primeira parte dos negócios, contribuiu para a valorização do Ibovespa os dados de emprego nos Estados Unidos. Segundo o Departamento do Trabalho, os novos pedidos de seguro-desemprego somaram 442 mil na semana encerrada no dia 20 deste mês, uma queda de 14 mil em relação à marca da semana anterior (456 mil, dado revisado).

Na Europa, as atenções do dia estiveram voltadas ao encontros dos líderes do continente, em meio à expectativa de um anúncio de socorro à Grécia. Há notícias de que a União Europeia poderá anunciar um plano de resgate de 22 bilhões de euros para o país deficitário, com apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI). O presidente do Banco Central Europeu (BCE), entretanto, desaprovou a participação do FMI no plano.

Nos Estados Unidos, o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, ainda afirmou que a economia do país segue com necessidade de taxas de juros baixas, embora tenha ponderado que a instituição monetária precisa estar preparada para restringir o crédito, quando for necessário, para evitar a inflação.

As notícias conseguiram sustentar as bolsas em alta por boa parte do dia, mas um resultado pior que o previsto do leilão de títulos do Tesouro nos Estados Unidos desanimou os agentes, de acordo com o assessor de investimentos da Souza Barros, Luiz Roberto Monteiro.

"Além do leilão americano, pesou sobre a bolsa a falta de fluxo estrangeiro, além da repetição das preocupações com o cenário na Europa e os papéis da Petrobras", apontou.

As ações PN da Petrobras estiveram entre as maiores baixas do índice, ao recuarem 2,46%, a R$ 35,20, com giro de R$ 633 milhões. Os preços internacionais do petróleo também perderam força e encerraram as operações em queda.

Segundo analistas, os investidores seguem preocupados com as notícias de capitalização da estatal.

"O grande problema não é se ela vai correr no primeiro ou no segundo semestre. O que o mercado quer é uma definição", comentou Monteiro.

Em Wall Street, o índice Dow Jones fechou com alta de 0,05%, enquanto o S & P 500 recuou 0,17% e o Nasdaq perdeu 0,06%.

No Brasil, apenas 19 das 63 ações que integram o Ibovespa fecharam em alta, com destaque para os papéis PNB da Eletropaulo, com ganhos de 2,88%, a R$ 39,20; para as ações ON da PDG Realty, com valorização de 1,93%, a R$ 16,31; e para os papéis ON da MRV, com apreciação de 1,82%, a R$ 13,4.

A construtora registrou lucro líquido de R$ 121,894 milhões no quarto trimestre de 2009, aumento de 69,3% em relação ao mesmo período de 2008. A receita líquida cresceu 67,7%, para R$ 535,564 milhões.

No acumulado de 2009, o lucro líquido atingiu 347,422 milhões, um avanço de 50,4% em relação aos R$ 231,030 milhões apurados em 2008. A receita líquida aumentou 48,3%, para R$ 1,647 bilhão.

Para 2010, a empresa projeta vendas contratadas entre R$ 3,7 bilhões e R$ 4,3 bilhões e margem Ebitda de 25% a 28% neste ano. No ano passado, as vendas contratadas da companhia atingiram R$ 2,8 bilhões, crescimento de 82,7% em relação ao ano anterior. A margem Ebitda ficou em 26,8%.

Entre as maiores quedas do índice, figuraram as ações PN da Brasil Telecom, com desvalorização de 5,45%, a R$ 11,61. Fora do índice, os papéis ON da empresa despencaram 17,62%, a R$ 16,26. A nova proposta de troca de ações apresentada pelo Oi para a incorporação da Brasil Telecom (BrT) não agradou o mercado. De acordo com a empresa, a relação proposta é de 0,3955 ação ordinária da Telemar para cada ação ordinária da Brasil Telecom e de 0,2191 ação preferencial classe C da Telemar para cada ação preferencial da Brasil Telecom.

Também tiveram perdas expressivas os papéis PN da Klabin, com queda de 3,63%, a R$ 5,3, e as ações PNB da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), com recuo de 3,82%, a R$ 22,11.

A empresa elétrica fechou o ano passado com lucro de R$ 762,713 milhões, invertendo a direção tomada em 2008, quando perdeu R$ 2,351 bilhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) aumentou 13,7%, para R$ 1,849 bilhão, e a margem Ebitda subiu 4,1 pontos, ficando em 69,7%.

A empresa apresentou ainda receita operacional líquida de R$ 2,652 bilhões em 2009, com avanço de 7% perante os R$ 2,479 bilhões somados no calendário anterior.

Entre os maiores volumes negociados, ainda estiveram os papéis PNA da Vale, com R$ 752,9 milhões. As ações recuaram 0,68%, para R$ 48,17. Além disso, os papéis ON da BM & FBovespa, que caíram 0,34%, a R$ 11,48, movimentaram R$ 155,9 milhões.

(Beatriz Cutait | Valor)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host