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25/03/2010 - 14h24

Nova relação de troca entre Oi e Brasil Telecom não agrada mercado

SÃO PAULO - A nova proposta de troca de ações apresentada pelo Oi para a incorporação da Brasil Telecom (BrT) está se refletindo de forma negativa no mercado.

De acordo com a empresa, a relação proposta é de 0,3955 ação ordinária da Telemar para cada ação ordinária da Brasil Telecom e de 0,2191 ação preferencial classe C da Telemar para cada ação preferencial da Brasil Telecom.

Conforme o comunicado, as relações de substituição foram ajustadas para refletir alterações nas provisões para contingências judiciais da Brasil Telecom. Antes das provisões, cada ação preferencial da Brasil Telecom seria trocada por 0,2764 preferencial da Telemar Norte Leste (TMAR) e cada ordinária receberia 0,4388 da incorporadora.

O analista de investimentos da Gradual, Márcio Yamachira, assinala que os novos termos vieram abaixo da expectativa.

"O mercado esperava algo em torno de 0,25 por cada ação preferencial da Brasil Telecom, e veio apenas 0,2191. Esta diferença foi o que acabou gerando este barulho para os papéis", comentou.

Por volta das 14h20, os papéis ON da BrT despencavam 15,45%, a R$ 16,69, enquanto os PN recuavam 5,70%, a R$ 11,58. Já as ações PNA da Telemar Norte Leste tinham acréscimo de 1,59%, a R$ 51.

A Ativa Corretora também avaliou a relação de troca como negativa para os papéis PN da Brasil Telecom.

Tanto a Ativa como a Gradual consideram a possibilidade de a proposta não ser aprovada pelos acionistas minoritários.

O conselho de administração da Telemar aprovou que a nova relação de troca seja submetida ao conselho da Brasil Telecom, sob condição de que seja posteriormente aprovada pelos acionistas não controladores titulares de ações ordinárias e preferenciais da companhia.

Uma vez examinadas pelo conselho de administração, a Telemar espera que a assembleia geral da Brasil Telecom, que irá deliberar sobre as novas relações de substituição, venha a ser convocada num prazo não superior a 30 dias.

Em relatório assinado pela analista Luciana Leocadio, a Ativa aponta que há grandes chances de os minoritários da Brasil Telecom rejeitarem as novas relações de troca propostas, a medida que as mesmas estão sendo reduzidas com base na avaliação da Telemar de provisões para perdas em processos judiciais ainda não concluídos, e que não necessariamente resultarão em perda de fato para a companhia, abrindo espaço para contestações. "Nesta hipótese, o cenário mais provável é de que a Telemar cancele a troca de ações da BrT por TMAR, deixando as ações e ADR de BrT listados em bolsa, o que acreditamos que poderá gerar uma pressão adicional nas ações do grupo, em particular da Brasil Telecom, uma vez que o cenário de unificação da liquidez destes papéis não se concretizará", observou a analista.

A Ativa ainda aponta que, diante da expectativa de rejeição dos minoritários , bem como da possibilidade de um impacto desfavorável associado a este evento, e uma percepção negativa sobre a governança corporativa da empresa, não recomenda exposição às ações do grupo Telemar/Oi.

Para Yamachira, da Gradual, a negação dos minoritários à nova relação de troca será prejudicial para todo grupo.

"Todos os ganhos da incorporação podem ser postergados ainda mais ou, num cenário, mais pessimista, a incorporação poderá não ocorrer", observou. A recomendação da Gradual para os papéis é "neutra".

(Beatriz Cutait | Valor)

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