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25/03/2010 - 19h26

Sudeste e Nordeste puxam crescimento do consumo, aponta Nielsen

SÃO PAULO - A expansão do consumo brasileiro no ano passado - que ajudou o país a minimizar os efeitos da crise financeira - foi puxada por um desempenho acima da média nas regiões Sudeste e Nordeste, em meio a um cenário de ascensão da classe média, revelou hoje um estudo elaborado pela Nielsen.

Entre os destaques do levantamento, a consultoria aponta um crescimento de volume da ordem de 5% no consumo de 159 categorias de produtos na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, que marcou o melhor desempenho entre os mercados analisados.
Na sequência, o interior do Rio de Janeiro e os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo registraram juntos uma expansão de 4,3%, enquanto a região Nordeste teve crescimento de 4%.
Na Grande São Paulo, a Nielsen apurou um avanço de 2,9% no consumo, mas o interior do Estado marcou uma baixa de 0,7%.

No total, a Nielsen apurou em 2009 um crescimento de 2,2% no consumo brasileiro. Entre as categorias analisadas, o maior incremento foi verificado no segmento de perecíveis, que subiu 6,5%, seguido por ítens de limpeza caseira (alta de 3,8%).
Tal comportamento, diz o estudo, refletiu a combinação da expansão do crédito em condições mais atraentes com o aumento da massa salarial e a inflação sob controle, fatores que permitiram um maior poder de compra à população.

" Com isso, o consumidor se permite experimentar novos produtos, que atendam melhor suas novas necessidades " , assinalou Filipe Aboláfio, consultor de mercado da Nielsen durante apresentação do estudo à imprensa.

Os vetores macroeconômicos se somam a medidas de execução das empresas voltadas ao lançamento de artigos, campanhas promocionais, preços adequados e melhora na distribuição dos produtos, mostra o estudo.

Para este ano, a expectativa da consultoria é de um crescimento entre 4% e 6% nos volumes consumidos no país, como reflexo da continuidade dos fundamentos que permitiram o desempenho do varejo no ano passado.

A pesquisa também quantifica o avanço da classe média no consumo interno, detalhando que a chamada classe C contribuiu com 60% do aumento nas compras de 56 categorias analisadas.
Na sequência, a classe baixa (D e E) representou 21% do incremento, enquanto as classes mais abastadas (A e B) responderam por 18%, em valores arredondados.

Além disso, o estudo mostra que o consumidor busca rapidez, conveniência e praticidade nas suas compras, preferindo realizá-las em lojas menores e mais próximas de sua residência (formato de vizinhança).
Assim, em supermercados pequenos, que têm entre cinco e nove caixas, houve um avanço de 7% nas vendas, enquanto os supermercados grandes (entre 20 e 49 caixas) tiveram um avanço de 9,3% .
Na contramão do desempenho positivo de lojas menores, os hipermercados (mais de 50 caixas) tiveram uma queda de 6,4% nos volumes, dentro das categorias analisadas.

Ante um quadro de preços estáveis - que diminuiu a necessidade de compras para o consumo de semanas -, o grande varejo passou a atuar mais agressivamente no formato de vizinhança.
Segundo os coordenadores da pesquisa, a maior competição com as grandes varejistas ajuda a explicar uma inflexão na curva de crescimento das lojas de pequeno porte, que operam com quatro caixas no máximo. Esse segmento teve queda de 1,4% nas vendas durante 2009.

(Eduardo Laguna | Valor)

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