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26/03/2010 - 15h25

Emergentes levantam US$ 2,4 bilhões com ações e títulos

SÃO PAULO - O apetite por ativos de mercados emergentes seguiu elevado na quarta semana de março. Esses mercados receberam dinheiro novo tanto via fundos de ações quanto pelos fundos de bônus.

Segundo a EPFR Global, na semana encerrada dia 24, as carteiras de ações captaram US$ 1,4 bilhão, elevando o saldo no ano para cima dos US$ 7 bilhões. Já os títulos levantaram US$ 1,05 bilhão, melhor resultado semanal já registrado.

O tom da semana foi positivo, mas os Fundos de Ações da America Latina, onde o Brasil tem peso relevante, ficaram fora da festa, amargando saque de US$ 72 milhões, primeira perda de dinheiro em cinco semanas.

O grupo Mercados Emergentes Globais (GEM, na sigla em inglês) concentrou o recebimento de recursos no período. E os fundos Ásia (ex Japão) tiveram modesta captação. Segundo a consultoria, a incerteza sobre como a China responderá ao aumento da inflação deixa os agentes receosos em fazer grandes aportes na região.

O tom positivo com relação à Rússia, que já levantou sozinha mais de US$ 1,2 bilhão no ano, mantém firme o envio de recursos para os Emergentes da Europa, Oriente Médio e África (EMEA na sigla em inglês).

Ampliando a análise, a EPFR Global aponta que durante a semana do dia 24 todos os fundos de ações acompanhados levantaram US$ 6,5 bilhões, melhor resultado em 13 semanas. Já todos os fundos de bônus ganharam outros US$ 6,8 bilhões.

O que chama atenção é que esse dinheiro não saiu exclusivamente dos "money market funds". As carteiras de baixo risco e retorno perderam apenas US$ 6,4 bilhões na semana, o que contrasta com um saque de mais de US$ 60 bilhões registrado na semana anterior.

O quadro de investimento entre os mercados desenvolvidos não apresentou mudança. Estados Unidos e Japão continuam no gosto dos investidores, enquanto a Europa perde dinheiro em função dos impasses envolvendo um plano de ajuda à Grécia.

Os Fundos de Ações do EUA levaram dinheiro pela sétima semana seguida, algo que não acontecia desde o quarto trimestre de 2004. No ano, a categoria ainda apresenta saldo negativo de US$ 6,9 bilhões, mas cabe lembrar que nas últimas semanas essas carteiras já levantaram mais de US$ 14 bilhões, o que ajuda a explicar o índice Dow Jones beirando os 11 mil pontos, patamar não observado desde a fase mais aguda da crise financeira em setembro de 2008.

O crescimento nas exportações estimula o envio de dinheiro para os Fundos de Ações do Japão, que completaram 13 semanas com saldo semanal positivo. No acumulado de 2010, as entradas superam as saídas em US$ 2,4 bilhões.

Já os Fundos de Ações da Europa perderam outro US$ 1 bilhão na semana. Cabe lembrar que além das questões fiscais da Grécia, a baixa perspectiva de crescimento da região funciona como barreira aos novos investimentos. Na semana, ressalta a EPFR Global, os saques foram acelerados pela decisão da Fitch Rating de rebaixar a nota de crédito de Portugal.

Fazendo um balanço apenas dos fundos de ações voltados para países desenvolvidos, a consultoria aponta que no acumulado de 2010, o saldo é negativo em US$ 3,4 bilhões. Mas que em igual período do ano passado, a conta era negativa em US$ 54,6 bilhões.

Mudando o foco para os fundos setoriais, as carteiras com foco em commodities seguiram atraindo investidores. Foram US$ 624 milhões, segundo melhor resultado semanal do ano.

Mostrando uma aprovação dos investidores à reforma do sistema de saúde dos EUA, os setoriais de Saúde/Biotecnologia ganharam 169 milhões, elevando o total do ano para US$ 658 milhões.

Ganhos sólidos também nos grupos Imóveis e Construção e Bens de Consumo, que levantaram US$ 361 milhões e US$ 262 milhões, respectivamente. Já os setoriais de Finanças registraram modesto saque de recursos.

(Eduardo Campos | Valor)

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