UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

26/03/2010 - 12h55

Papéis da Petrobras voltam a pressionar Ibovespa

SÃO PAULO - A baixa apresentada pelos papéis da Petrobras volta a pesar sobre a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) no pregão desta sexta-feira.

Ainda que permaneça no campo positivo, o Ibovespa, que atingiu 68.909 pontos na máxima do dia, desacelerou os ganhos ao fim da primeira etapa dos negócios. Há pouco, o índice subia 0,09% e somava 68.501 pontos, com volume financeiro negociado de R$ 2,2 bilhões.

Os papéis PN da Petrobras recuavam 0,93%, a R$ 34,87, com giro de R$ 332 milhões.

Segundo um operador de mercado que preferiu não se identificar, assim como ontem, são os investidores estrangeiros os principais responsáveis pela queda dos papéis da estatal, com um volume significativo de venda.

A Petrobras terá de buscar outras maneiras de capitalização para manter o nível de investimentos entre US$ 200 bilhões e US$ 220 bilhões para os próximos cinco anos no caso de a capitalização com a cessão onerosa de até 5 bilhões de barris não ser aprovada pelo Congresso.

De acordo com o gerente de relações com investidores da companhia, Alexandre Quintão, uma alternativa seria uma emissão pública de ações preferenciais, de forma a manter intocada a fatia de ações ordinárias nas mãos do governo e, ao mesmo tempo, não comprometer os investimentos previstos.

O mau desempenho dos ativos se contrapõe a um cenário mais otimista nos Estados Unidos, que segue sustentando o índice.

Na agenda externa, agradou aos agentes a pesquisa da Universidade de Michigan, que mostrou que a confiança do consumidor americano ficou estável em março, na comparação com fevereiro. O indicador que mede esse sentimento marcou 73,6 no fim deste mês, coincidindo com a leitura do período anterior.

Considerando o índice preliminar de março, de 72,5, o resultado final para o mês foi melhor.
Além disso, o Departamento do Comércio ainda informou que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu a uma taxa anualizada de 5,6% no quarto trimestre de 2009, inferior à marca informada na prévia anterior (5,9%).

Na Europa, apesar de o mercado ainda aguardar mais detalhes, o plano de ajuda financeira dos países à Grécia foi finalmente anunciado. A fórmula escolhida pelos líderes prevê a intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI) e empréstimos bilaterais dos Estados da zona do euro.

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, avaliou o mecanismo como exequível, mas improvável de ser ativado. " Estou confiante de que não será necessário ativar esse mecanismo e que a Grécia vai reconquistar progressivamente a confiança do mercado " , sustentou.

O analista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, assinala que, apesar de os papéis da Petrobras puxarem o Ibovespa para baixo, as ações de empresas de siderurgia e mineração e do setor bancário atuam no sentido oposto.

"Lá fora, parece que a ajuda à Grécia finalmente vai sair, o que também trouxe bom humor para o mercado como um todo. Por aqui, o índice encontra resistência nos 70 mil pontos e a queda da Petrobras, que não conta com novidades que justifiquem o movimento", comentou o analista, que não descarta uma reversão das operações brasileiras, com um enfraquecimento das bolsas americanas.

Em Wall Street, minutos atrás, o índice Dow Jones avançava 0,49%, o Nasdaq ganhava 0,42% e o S & P 500 se apreciava em 0,53%.

No Brasil, lideravam os ganhos do Ibovespa os papéis PN da NET, com valorização de 2,03%, a R$ 22,56, e as ações ON da Natura, com apreciação de 2,06%, a R$ 36,05.

No sentido oposto, estavam em baixa os papéis ON da JBS, com recuo de 2,54%, a R$ 7,66, e as ações PN da Brasil Telecom, com perdas de 1,72%, a R$ 11,41.

Entre os maiores volumes negociados, apareciam as ações PNA da Vale, que avançavam 0,20%, a R$ 48,27, e movimentam R$ 263,4 milhões, e os papéis da BM & FBovespa, com queda de 0,17%, a R$ 11,46, e giro de R$ 251,4 milhões.

O fluxo estrangeiro na Bovespa está positivo em R$ 2,08 bilhões no acumulado do mês, até o dia 24, resultado de compras no valor de R$ 31,1 bilhões e de vendas de R$ 29 bilhões. Apesar da queda de 0,68% do Ibovespa na quarta-feira, o estrangeiro colocou R$ 168,75 milhões no mercado naquele dia.

No ano, o resultado da atuação do investidor internacional na bolsa brasileira está negativo em R$ 1,273 bilhão.

(Beatriz Cutait | Valor)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host