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31/03/2010 - 12h53

Cresce a cobertura de planos de saúde no Brasil, mostra IBGE

RIO - O número de brasileiros com plano de saúde atingiu 49,1 milhões em 2008, o equivalente a 26,3% da população do país. Em 2003, segundo a pesquisa " Um panorama da saúde no Brasil " , eram 43 milhões de pessoas atendidas por planos de saúde, ou 24,5% da população. O estudo, divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi feito com base em informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). " Houve um pequeno aumento do percentual da população coberto por planos. Com certeza isso expressa o aumento do emprego real. Na maioria são planos de saúde providos pelas empresas, não são planos individuais " , frisou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, lembrando que 73,7% da população utilizam somente a rede do Sistema Único do Saúde (SUS).

O presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes, ressaltou ainda que a mudança entre 2003 e 2008 foi pequena, ocorrendo muito mais no perfil das pessoas que têm plano de saúde, que deixaram os planos individuais passando para planos de empresas. " Consequentemente, o plano de saúde tem a ver com o mercado de trabalho " , concordou. Temporão cobrou também a mudança do perfil do gasto com saúde no país. Segundo ele, 60% desse custo no Brasil recai sobre as famílias e as empresas, com apenas 40% pagos pelo setor público. O ministro lembrou que, na Inglaterra, " que tem uma filosofia de saúde parecida com a do Brasil " , esse patamar de gasto público equivale a 80% do total. " É impossível querer dar saúde universal de qualidade em todo o território nacional, do procedimento mais simples ao transplante de órgãos, numa base de financiamento onde 60% dos gastos são das famílias e das empresas " , criticou Temporão. " Sem resolver o gargalo do gasto, fica muito difícil chegar onde as pessoas querem " , acrescentou, chamando a atenção para a reforma no sistema de saúde feita pelo presidente Barack Obama nos Estados Unidos. O ministro também expressou preocupação com o nível de sedentarismo mostrado pela pesquisa no Brasil. Apenas 41,7 milhões de pessoas, ou 28,2%, praticavam exercício físico ou esporte nos três meses anteriores à pesquisa, enquanto 42,9% dos cerca de 175 milhões de brasileiros que viram TV nos 30 dias anteriores à pesquisa ficaram mais de 3 horas por dia na frente do aparelho. O estudo revela ainda que 29,6 milhões de pessoas, 8,5% da população, usa computador ou joga videogame por mais de 3 horas por dia.

" O sedentarismo, levando ao sobrepeso e obesidade, (aparece) como fator fundamental do desenvolvimento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. Isso impacta diretamente na qualidade de vida e no perfil de mortalidade " , afirmou Temporão, ponderando que o lado bom da pesquisa é que 33,4% da população vai para o trabalho a pé ou de bicicleta. Na pesquisa, 58,8 milhões de pessoas, 31,5% do total, tinham doença crônica no país em 2008, acima dos 52,6 milhões, ou 29,9%, em 2003. Para Nunes, do IBGE, isso reflete o processo de envelhecimento da população brasileira. Ele alertou para a necessidade de políticas que compensem esse processo, inclusive na formação dos médicos, já que a tendência é de uma necessidade menor de pediatras e de uma carência de geriatras. " O sedentarismo acaba se transformando em fator de risco e é preciso que haja políticas, no campo social principalmente, no sentido de criar oportunidades de espaços públicos para que a população tenha condições de praticar algum tipo de atividade física " , ponderou Nunes.

(Rafael Rosas | Valor)

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