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31/03/2010 - 12h06

DIs reagem ao Relatório de Inflação e aguardam Meirelles

SÃO PAULO - Depois de um movimento generalizado de baixa no começo do pregão, os contratos de juros futuros operam sem direção definida na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Os agentes vão assimilando as 153 páginas do Relatório Trimestral de Inflação e aguardam algum pronunciamento de Henrique Meirelles sobre sua permanência ou saída do comando do Banco Central (BC).

Na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em abril de 2010 operava estável, a 8,62%. Julho de 2010 recuava 0,01 ponto, a 9,18%. E Janeiro de 2011 apontava 10,36%, baixa de 0,03 ponto.

Entre os vencimentos mais longos, janeiro de 2012 caía 0,02 ponto, a 11,61%. Janeiro 2013 marcava estabilidade, a 11,99%. E janeiro 2014 subia 0,02 ponto, a 12,10%.

Segundo o vice-presidente de Tesouraria do Banco WestLB, Ures Folchini, o Relatório de Inflação não trouxe muitas informações novas que façam preço na curva futura de juros. Fora isso, diz o especialista, o relatório perde um pouco de sua força, em função desse impasse envolvendo a formação do novo Comitê de Política Monetária (Copom).

Folchini comenta que, se Meirelles ficar, não há grandes dúvidas, mas, no caso de ele sair do BC, o mercado deve prestar mais atenção ao discurso de seu sucessor.

Hoje, o Copom já passou por sua primeira mudança. Mário Mesquita deixou a diretoria de Política Monetária, que agora será ocupada por Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, atual diretor de Assuntos Internacionais.

Avaliando o Relatório de Inflação, a LCA Consultores aponta que as projeções de inflação pintam um cenário para os preços com tintas menos carregadas que o apresentado na ata da reunião do Copom de março.

Segundo a consultoria, apesar de no cenário de referência a inflação superar o centro da meta tanto para 2010 (5,2%) como para 2011 (4,9%), no cenário de mercado, o IPCA converge para o centro da meta no ano que vem, a rigor, 4,4%, pouco abaixo do centro de 4,5%.

De acordo com Homero Guizzo, economista da consultoria, a principal conclusão que se pode tirar do documento é que um ajuste de 250 pontos-base na taxa Selic é o suficiente para levar a inflação ao centro da meta no ano que vem. O economista ressalta que esse é o ajuste médio projetado pelo mercado e captado pelo Boletim Focus.

Para Guizzo, esse fato deve refrear as expectativas que davam conta de um aperto monetário de 350 pontos a 400 pontos. Com isso, também deve se formar um consenso de que o ciclo de aperto começa com 0,5 ponto percentual.

O elemento preocupante do relatório, segundo Guizzo, surge em um gráfico na página 96, que mostra a dispersão das expectativas de inflação para 2010. Se esse quadro se agravar no decorrer do ano, aumenta a chance de uma deterioração das expectativas também para 2011. No caso de isso acontecer, diz o economista, o BC pode se ver obrigado a rever o orçamento de aperto monetário agora em 2010.

(Eduardo Campos | Valor)

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