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31/03/2010 - 13h30

Futuro diretor do BC destaca trabalho para que inflação fique na meta

BRASÍLIA - O futuro diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Carlos Hamilton Araújo, reiterou hoje que autoridade monetária " sempre trabalha para que a inflação fique na meta, e vai continuar fazendo o necessário " para isso. De acordo com o Relatório Trimestral de Inflação divulgado hoje, o BC elevou de 4,5% para 5,2% a projeção da inflação oficial medida pelo IPCA para este ano - portanto, acima da meta de 4,5%.

" Às vezes, a inflação está baixa e às vezes está acima, o que é normal também " , continuou ele, que não quis responder sobre possíveis movimentos futuros do Comitê de Política Monetária (Copom). Assim como na ata do Copom, o relatório também sinaliza que o Banco Central pode iniciar uma trajetória de alta da Selic já na reunião de abril. E justifica a divergência na reunião de março, quando cinco diretores votaram a favor da manutenção da Selic em 8,75% e três pelo aumento de 0,5 ponto percentual. O documento aponta que no fim de 2009, a diretoria do BC avaliou que seria necessário um " desarme " futuro da situação de política monetária, que reduziu os juros e mantinha a Selic acomodada em 8,75% ao ano desde julho de 2009.

" Na avaliação do colegiado era necessário que se estabelecesse uma estratégia de saída, ou seja, uma programação de retorno à normalidade das condições monetárias " , diz o relatório. E aponta ainda que, além de defender a alta dos juros na reunião deste mês, o grupo dissidente de diretores também considerou que deveria ser antecipado " o cronograma original " de retirada de estímulos monetários e fiscais introduzidos na economia no período de crise em 2008 e 2009 - tais como a redução do compulsório e as desonerações tributárias. Entre as pressões para o aumento dos preços, o diretor citou que 60% dos produtos coletados para formar o IPCA apresentaram aumento por três meses seguidos, entre dezembro de 2009 e fevereiro deste ano. " O que não ocorria desde janeiro de 2009 " , citou.

Ele também destacou como risco o aumento nos preços das commodities industriais (aço, por exemplo), e também na remuneração do trabalho. O setor de construção civil, que está vivendo um boom de negócios, foi citado pelo diretor do BC como exemplo de onde estariam ocorrendo aumentos salariais, com risco de serem repassados aos preços finais.

Hamilton, que ocupa a diretoria de Assuntos Internacionais, fez hoje sua primeira apresentação do relatório, diante do anúncio hoje cedo de que Mario Mesquita deixaria a diretoria de Política Econômica a partir de hoje. Hamilton era braço direito de Mesquita até o mês passado, quando passou a ser um dos dirigentes do BC. (Azelma Rodrigues | Valor)

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