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31/03/2010 - 14h46

Lula rebate críticos e tece elogios aos ex-ministros, sobretudo Dilma

SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a cerimônia de posse de dez novos ministros para rebater os críticos e tecer elogios aos ex-integrantes do governo, especialmente Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à sua sucessão, que até manhã de hoje ocupava a pasta da Casa Civil.
"Não existe ninguém insubstituível, mas eu acho que a Dilma foi de uma competência extraordinária. O Brasil deve muito a ti", disse o presidente, que tentou justificar a imagem de dureza da ex-ministra. "Muita gente diz que a Dilma é dura, mas também nem todo mundo precisa ficar se arreganhando o tempo todo. Ser dura é uma das estacas que você utiliza para exercer sua função no poder", acrescentou.

Lula classificou a renúncia de Dilma como um prejuízo ao país. "Mas a expectativa é de que você seja mais do que ministra da Casa Civil. A esperança é a motivação de sua saída", declarou. O presidente ainda comentou as eleições deste ano e afirmou que seus adversários terão de pôr o pé no barro para derrotá-lo. "Quem quiser me derrotar, terá que trabalhar mais do que eu", garantiu.
Em seu discurso, Lula também frisou que respeita a decisão dos ministros que deixam os cargos para concorrer nas eleições, mas não deixou de lamentar a saída de "companheiros que vestiram a camisa do governo". Ele elogiou, um a um, todos os dez ex-ministros.
Em meio aos afagos aos colegas, lembrou do racionamento de energia de 2001, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). "Quantas aves de mau agouro não torcem para acabar a energia no país. Torceram para que o governo tivesse o mesmo apagão de 2001", enfatizou.
Antes, ao falar sobre a Previdência Social, o presidente já tinha defendido a contratação de mão-de-obra pelo governo. "As pessoas que criticam o inchaço da máquina são os que defendem o inchaço das filas. Como preferimos tratar as pessoas com decência, contratamos peritos. Você marca uma perícia médica em no máximo cinco dias", lembrou.
Mais uma vez, ele criticou a atuação da imprensa ao comentar que há uma distância muito grande entre o que se lê e o que se vê.
Além de Dilma, deixam o governo os ministros Hélio Costa (Comunicações), Alfredo Nascimento (Transportes), Edson dos Santos (Igualdade Racial), Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), Edison Lobão (Minas e Energia), Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), José Pimentel (Previdência Social), Carlos Minc (Meio Ambiente) e Reinhold Stephanes (Agricultura).
Os secretários-executivos que tomaram posse são Paulo Sérgio Passos, no Ministério dos Transportes; Márcio Zimmerman, no Ministério de Minas e Energia; Elói Ferreira, na Secretaria de Igualdade Racial; Izabella Mônica Vieira Teixeira, no Ministério do Meio Ambiente; João Santana, no Ministério de Integração Nacional; Carlos Eduardo Gabas, no Ministério da Previdência Social; e Erenice Guerra, na Casa Civil.

No caso do Ministério da Agricultura, o substituto de Stephanes é o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Wagner Rossi. Já o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome está, agora, sob a liderança da ex-secretária-executiva Márcia Lopes, enquanto o Ministério das Comunicações ficará nas mãos de José Artur Filardi, que chefiava o gabinete de Hélio Costa.

(Fernando Taquari | Valor)

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