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01/04/2010 - 16h19

DIs fecham sem grande alteração após produção industrial

SÃO PAULO - Mais um indicador de atividade surpreendeu para cima, reforçando a visão de forte retomada do crescimento econômico. No entanto, isso não resultou em aumento dos prêmios da curva de juros futuros. Ou seja, como os vencimentos já precificam de forma mais intensa uma alta de 0,75 ponto percentual na Selic em abril, não há incentivo à montagem de novas posições nessa mesma direção.

Os agentes vão para o feriado de Páscoa sem saber se o Banco Central seguirá comandado por Henrique Meirelles. Algum pronunciamento é guardado até o final do dia.

Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para maio de 2010, apontava estabilidade a 8,66%. Julho de 2010 perdia 0,01 ponto, a 9,18%. E janeiro de 2011, o mais líquido do dia, também cedeu 0,01 ponto, a 10,37%.

Entre os vencimentos longos, o DI para janeiro de 2012 recuou 0,01 ponto, a 11,65%. Janeiro de 2013 ficou estável a 12,05%, e janeiro 2014 cedeu 0,03 ponto, projetando 12,16%.

Até as 16h15, foram negociados 712.050 contratos, equivalentes a R$ 65,58 bilhões (US$ 36,80 bilhões), 17% abaixo do registrado ontem. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 248.420 contratos, equivalentes a R$ 23,05 bilhões (US$ 12,94 bilhões).

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que a atividade fabril subiu 1,5% em fevereiro. As expectativas estavam bastante dispersas, mas a mediana rondava 1%. No comparativo com fevereiro no ano passado, o resultado lembra indicadores chineses. O salto foi de 18,4%.

De fato, o número anual impressiona, mas como lembrou a Gradual Investimentos, temos que considerar a base de comparação. "Vale o registro. Foi entre o final de 2008 e o início de 2009 que a crise atingiu o país com mais força, logo as comparações anuais são um tanto quanto favorecidas." Contudo, ponderou a Gradual, seria equivocado não ficar animado com os últimos resultados. O crescimento de fevereiro faz a economia ficar mais próxima dos antigos patamares de produção.

Os economistas do Santander ficaram mesmo aminados e até revisaram sua estimativa de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) seguindo a divulgação da produção industrial.

Antevendo um acrescimento de 9,5% da indústria em 2010, contra previsão anterior de 7,5%, e considerando outros fatores que apontam para aquecimento econômico disperso pelos setores da economia, o banco elevou sua previsão de crescimento do PIB de 4,8% para 5,8%.

"Essa revisão incorpora, em grande parte, uma visão mais otimista para a performance da produção industrial", disse o banco.

Junto com a revisão do PIB, o banco também recalculou suas premissas para outras variáveis. O desemprego deve ficar em 7,1%, recuando de 7,4%, e a demanda por crédito também foi colocada para cima.

Na agenda da semana que vem, o foco estará voltado à divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março.

(Eduardo Campos | Valor)

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